A saída para a retomada do crescimento

Não é novidade para ninguém que o mercado de caminhões amarga um dos piores momentos de sua história.

O gráfico que analisa os números de caminhões vendidos ano a ano se parece com o mapa da pista de descida da Via Anchieta, principal acesso ao Porto de Santos.

Estamos 70% abaixo do recorde de 2012, quando 173 mil caminhões foram vendidos. Ano passado, foram apenas 51 mil. Com isso, mais de 200 concessionárias fecharam as portas.

É verdade que as exportações cresceram no período. O aumento, apesar de modesto, é um alento, e aliado à volta do crescimento do PIB e à super safra de 234 milhões de toneladas dá um sinal de que a densa neblina que paira sobre o setor parece se dissipar.

Os caminhos das oportunidades vão se tornando claros. Essa é a visão geral dos seis executivos da indústria de caminhões – Mercedes-Benz, DAF, Volvo, Ford, MAN e Iveco – além do presidente da Anfir (Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários), Alcides Braga, que participaram do Seminário Caminhos para a Retomada, evento promovido pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

Boa parte dos empresários acredita que nos próximos dois anos as vendas cheguem à marca das 120 mil unidades. A MAN, uma das mais otimistas, aposta que é possível chegar aos 170 mil.

Programas de financiamento

Os fabricantes de veículos e implementos reclamaram das restrições impostas pelos bancos particulares e ligados ao governo. Ricardo Alouche, Vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós Vendas da MAN Latin America garante que “isso está dificultando demais essa retomada”.

Segundo ele, um único mecanismo de financiamento não funciona. A médio prazo, o Leasing Operacional é uma excelente alternativa para o setor, afirma Alouche.

Ao falar sobre as novas regras do Finame, Ricardo Ramos, diretor do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) afirmou que a instituição depende dos bancos privados para fazer a operação. E ficou surpreso ao saber dos executivos que um caminhão podia ser financiando 100% pelo Pró-Caminhoneiro com taxa de juros de 3%. Por outro lado, disse que a partir de janeiro uma nova metodologia mais simples para aprovar um financiamento passará a entrar em vigor, sem encarecer o empréstimo.

Alcides Braga, presidente da Anfir, destacou que “hoje falta capital de giro para os empresários”. “Quanto mais simples as regras, melhor pra todo mundo”, disse. Para ele, o plano ideal são juros de 8% ao ano e financiamento integral do bem em 60 parcelas para caminhões e implementos.

Renovação da frota

Outros temas envolvendo o atual cenário, como inspeção veicular, renovação da frota e o novo programa de controle de emissões (Proconve P8) foram debatidos. Na abertura do painel reservado para a discussão desses temas, o mediador Rogério Rezende, da Anfavea, apresentou os números atualizados: “O Brasil hoje conta com uma frota aproximada de 330 mil caminhões com mais de 30 anos, boa parte nas mãos de caminhoneiros autônomos.”

Um dos programas sugeridos pela Anfavea sugere que o proprietário receba um crédito de R$ 30 mil ao entregar seu caminhão para a reciclagem. Os programas de renovação testados em São Paulo no Porto de Santos, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro não tiveram o resultado esperado. Em dois anos, os três programas recolheram menos de 300 caminhões.

Para Eduardo Macabelli, gerente de operações da Companhia de Engenharia de Tráfego, CET, a renovação da frota em São Paulo é urgente. “São 50 caminhões e 40 ônibus que quebram todos os dias na cidade. Boa parte por motivos que poderiam ser evitados, como pneus carecas, pane elétrica, falta de cuidados mecânicos e até falta de combustível. Quando isso acontece nas Marginais, vias expressas, por onde passam mais de 1 milhão de veículos todos os dias, as consequências para o trânsito são terríveis.”

Fraude

O aumento da fiscalização para combater a fraude do uso do Arla 32 nos caminhões EURO-5 será ampliado. Parte do batalhão da Polícia Militar do Estado de São Paulo recebeu treinamento da Cetesb e vai atuar junto em blitz em todo o estado.

Todas essas inciativas vão de encontro ao que propõe o Rota 2030, novo programa estatal para o setor automobilístico que está sendo elaborado pelo ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços para substituir o Inovar Auto a partir de 1º de janeiro de 2018.