Brasil destina mais de 34 mil toneladas de embalagens vazias de agrotóxicos

Por Evelyn Haas
da Redação do Portal

O Sistema Campo Limpo (logística reversa de embalagens vazias de agrotóxicos), formado por agricultores, fabricantes – representados pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) -, canais de distribuição e com apoio do poder público, encaminhou, em 2011, 34.202 toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas para reciclagem. O volume representa crescimento de 9% em relação ao ano anterior, quando foram destinadas 31.265 toneladas dos mesmo produtos.

Segundo dados fornecidos pelo inpEV, 15 Estados apresentaram crescimento. Os maiores destaques foram Mato Grosso, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do e São Paulo, que juntos correspondem a 73% do volume total destinado em todo o país em 2011.

Mato Grosso na liderança
De acordo com o InpEV, Mato Grosso foi o Estado que mais encaminhou embalagens vazias de agrotóxicos para destino. Assim, se manteve na liderança no ranking nacional, com volume de 8.785 toneladas de embalagens e crescimento de 24% em relação a 2010, quando enviou 7.103 toneladas de embalagens vazias.

“O aumento no volume de embalagens vazias de agrotóxicos expressa a conscientização de todos os envolvidos no sistema Campo Limpo. Não apenas do agricultor que lava e devolve suas embalagens vazias no local, mas, dos revendedores, fabricantes e poder público que orientam e conscientizam os produtores rurais sobre suas responsabilidades”, explica o gerente de logística reversa do inpEV , Mário Fuji.

Mato Grosso é um dos maiores produtores agrícolas do país. De acordo com Fuji, os índices de devolução são altos em função da conscientização dos produtores, da ampla malha de recebimento e da integração de todos os elos da cadeia, cada qual com sua parcela de responsabilidade.

“Percebemos que lavar e devolver as embalagens vazias já passou a ser uma rotina para o produtor rural e não mais apenas uma obrigação legal”, comenta Fuji.


Processo nacional

Nos últimos dez anos foram investidos pela indústria, distribuidores de defensivos agrícolas e agricultores cerca de 440 milhões de reais no programa de descarte de embalagens.

Atualmente, 94% das embalagens plásticas são devolvidas pelos agricultores brasileiros nas 421 unidades de recebimento presentes em 25 Estados e no Distrito Federal.

O Brasil se encontra em posição de referência mundial sobre o assunto ao destinar percentualmente mais embalagens plásticas do que países que possuem sistemas semelhantes: Alemanha com 76%, Canada 73%, França 66%, Japão 50%, Polônia 45%, Espanha 40 e Austrália e EUA 30%.

Desde março de 2002, quando o inpEV entrou em funcionamento, até dezembro de 2010, já foram corretamente destinadas mais de 165 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas.

São produzidos 17 artefatos por meio da reciclagem das embalagens vazias de agrotóxicos como barrica de papelão, tubo para esgoto, cruzeta de poste de transmissão de energia, embalagem para óleo lubrificante, caixa de bateria automotiva, conduíte corrugado, barrica plástica para incineração, duto corrugado, tampas para embalagens de defensivos agrícola e embalagem que tem sua fabricação voltada para o envase do próprio defensivo agrícola.

Foto: divulgação/ InpEV