Protestos atingem 11 estados; entidades do setor e sindicatos condenam atos

Brasília - Caminhoneiros protestam na BR 040, nas proximidades da cidade de Valparaíso de Goiás (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Brasília – Caminhoneiros protestam na BR 040, nas proximidades da cidade de Valparaíso de Goiás (Marcelo Camargo/ABr)

Atualizado às 18h58

Convocado por meio das redes sociais, um protesto de caminhoneiros bloqueou trechos de várias estradas do país nesta segunda-feira (9).

Segundo boletim da PRF das 18h, há interdições (parcial ou total) em ao menos 8 estados — às 15h, a PRF havia contabilizado 42 manifestações de caminhoneiros em 11 estados.

O ato foi organizado pelo Comando Nacional do Transporte, que assumiu a autoria dos protestos de fevereiro e pede, entre outras coisas, a renúncia da presidente Dilma Rousseff (PT). O movimento tem o apoio de grupos pró-impeachment como Revoltados On-Line, Movimento Brasil Livre e Vem pra Rua e afirma que os protestos atingiram 12 estados.

O apoio destes grupos é motivo de críticas das entidades oficiais que representam os caminhoneiros do Brasil, que acusam a existência de interesses político-partidários nas demandas. “Consideramos imoral e repudiamos qualquer mobilização que se utilize da boa-fé dos caminhoneiros autônomos para promover o caos no país e pressionar o governo em prol de interesses políticos ou particulares, que nada têm a ver com os problemas da categoria”, diz Diumar Bueno, presidente da CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), em nota publicada no site da entidade.

Luiz Moan, presidente da Anfavea, que participou nesta manhã da abertura da Fenatran 2015, vê a mobilização dos caminhoneiros com preocupação e afirma que, neste momento, o ato não faz bem para o país. “O que precisamos neste momento é unir ao máximo e todos pensarmos em Brasil para que a gente possa voltar a ter o índice melhor de confiança dos investidores e dos consumidores, proporcionando com isso um crescimento da economia que todos ganham, independentemente de ideologias políticas.”

Segundo um dos líderes do movimento no Rio Grande do Sul, Fábio Roque, o grupo não é ligado a sindicatos ou federações. “Somos apartidários e sem cunho político. Nós lutamos pela salvação do país, e isso só será feito a partir da deposição da [presidenta] Dilma, seja por renúncia ou por impeachment”, disse à Agência Brasil.

Em entrevista coletiva na manhã desta segunda, o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, afirmou que o movimento tem como objetivo desgastar o governo politicamente, segundo reportagem do G1.

Veja abaixo a íntegra do comunicado da CNTA

Manifestação no dia 09 de novembro: comunicado da CNTA

Diante de mais uma pretensa paralisação de caminhoneiros convocada por grupos de internet, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) comunica que:

1 – sempre manifestamos nosso apoio a movimentos de interesse específico da categoria dos caminhoneiros autônomos, organizados ou não, desde que haja representantes que respondam pelos atos que praticam;

2 – consideramos imoral e repudiamos qualquer mobilização que se utilize da boa-fé dos caminhoneiros autônomos para promover o caos no país e pressionar o Governo em prol de interesses políticos ou particulares, que nada têm a ver com os problemas da categoria;

3 – paralisações, greves e protestos são legítimos em um regime democrático, mas assim como acontece com outras categorias profissionais, as entidades sindicais que têm a prerrogativa legal de deflagrar uma greve, passam obrigatoriamente pela elaboração de uma pauta de reivindicação específica da categoria que representam, para ser aprovada em assembleia geral, que é quem tem, ao final, a legitimidade de deflagrar uma greve;

4 – Os caminhoneiros há muito vem construindo a sua organização de representação sindical. Não podemos admitir agora que pessoas estranhas, sem histórico algum de representação da categoria, utilizem-se do respeito que o caminhoneiro conquistou junto à opinião pública pela força e importância que exercem na economia do país. Força essa reconhecida pelo governo sobre a necessidade de suas reivindicações serem discutidas mais abertamente;

5 – hoje podemos contar com o Fórum Permanente do Transporte Rodoviário de Cargas que foi criado para ser um canal aberto e direto do setor de transportes com a inovação de estar conjuntamente sendo representado por caminhoneiros autônomos, empresas de transporte de cargas, embarcadores e Governo.

6 – A CNTA se constitui hoje em seis federações e mais de cem sindicatos de caminhoneiros autônomos de todo o país. Por isso, respeitamos qualquer manifestação de interesse público de forma organizada. A rodovia é o escritório de trabalho dos caminhoneiros assim como o mecânico tem a oficina, o bancário trabalha na agência. Portanto, o direito de manifestação e participação espontânea não deve ser confundido com a interrupção de rodovias obrigando a paralisação de quem precisa trabalhar ou não concorda com a manifestação;

7 – É importante registrar as graves consequências que um bloqueio de rodovias traz tanto para os transportadores que delas se utilizam, como para a sociedade em geral. É incalculável o prejuízo econômico, social e pessoal que esse tipo de atitude traz. Neste momento, consultada a categoria, ela manifesta sua necessidade de trabalhar e não de paralisar. Até porque a dificuldade econômica por que passamos, não é exclusividade dos transportadores rodoviários, e sim de todo o país;

7 – entendemos e reconhecemos a frustração tanto dos caminhoneiros como da população com a situação econômica do Brasil. No entanto, a CNTA acredita em uma guinada, a exemplo de outros países considerados potências econômicas, que também passaram recentemente por crise financeira, mas com a luta e apoio da população, de forma inteligente e organizada, viraram o jogo e estão novamente em crescimento;

8 – Ao consultar a sua base de representação, a CNTA e as entidades que a compõe, federações e sindicatos, optam pela defesa dos interesses dos caminhoneiros, por meio do diálogo e negociação com o Governo Federal e setor privado.

A CNTA alerta ainda que antes de qualquer pessoa se intitular uma liderança e promover uma paralisação nacional é preciso partir da premissa que uma crítica deve vir acompanhada de uma sugestão. Gritos de ordem incitando protestos podem conseguir apoio e simpatia, mas sem propostas concretas de nada adiantam.

Com informações da Agência Brasil