Estudo aponta motivo de desgaste precoce do asfalto de rodovias brasileiras

Segundo estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Brasil tem método antigo para dimensionar o asfalto.

Sistema de construção do asfalto em rodovias brasileiras é ultrapassado. (Foto Clarice Castro/Fotos Públicas)

A metodologia brasileira para o dimensionamento do pavimento das rodovias apresenta uma defasagem média de 40 anos em relação a países como Estados Unidos, Japão e Portugal. Esse é um dos resultados do estudo “Transporte Rodoviário – Por que os pavimentos das rodovias do Brasil não duram?”, da CNT.

O estudo buscou identificar as principais causas do desgaste precoce dos pavimentos e as possíveis oportunidades de melhoria. Os problemas e as soluções foram divididos em quatro categorias: tecnologias e processo construtivo; manutenção e gerenciamento; fiscalização e método de dimensionamento.

Esse método consiste na determinação das camadas que compõem o pavimento para que elas sejam suficientes para resistir, transmitir e distribuir as pressões que resultam do tráfego, sem que haja deformações, rupturas ou desgastes superficiais prematuros.
De acordo com a Confederação, a estrutura deve ser capaz de suportar o tráfego estabelecido, considerando as condições climáticas locais e oferecendo desempenho satisfatório para suas funções. No Brasil, além de as normas para dimensionar os pavimentos serem antigas, elas não consideram as diferenças climáticas de uma região para outra. As especificações brasileiras são provenientes da década de 1960, quando o volume de tráfego era bem menor.

Diferenças de padrão

O diretor-executivo da CNT, Bruno Batista, explica que um dos fatores que mais impactam o comportamento dos materiais do pavimento é o clima, principalmente as variações de temperatura e umidade. “A norma brasileira considera um fator climático único. Em Portugal, por exemplo, são utilizadas três zonas diferentes para calcular o impacto das variações climáticas sobre as técnicas e os materiais utilizados.”

Há dois tipos de pavimento: o flexível (com o uso, na maioria dos casos, de asfalto) e o rígido (com a utilização de concreto). No Brasil, 99% dos pavimentos são flexíveis. O estudo comparou os métodos de dimensionamento adotados no Brasil com os implementados nos Estados Unidos, Japão e Portugal. O dimensionamento brasileiro é feito para durar cerca de dez anos. Nos Estados Unidos e em Portugal, os pavimentos são projetados para 25 e 20 anos, respectivamente.

Esses países estão entre os 13 com melhor colocação no ranking de qualidade de rodovias. O ranking é do Relatório de Competitividade Global 2016-2017, do Fórum Econômico Mundial. Já o Brasil ocupa o 111º lugar, no ranking com 138 países.