Caminhoneiros de Goiás comemoram a reabertura da hidrovia Paraná-Tietê

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A volta do transporte em barcaças pela hidrovia reduz o custo do transporte em 40% e permite a retomada de viagens de tiro curto, mais vantajosas para os transportadores rodoviários.

O anúncio da retomada das operações da hidrovia Paraná-Tietê animou os transportadores rodoviários de cargas do Centro-Oeste, especialmente do sul de Goiás.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do estado, Vanderli Caetano, o transporte nas barcaças voltará a favorecer o chamado “tiro curto”, que são as viagens dos armazéns até o porto de São Simão e que mais compensam para os caminhoneiros.

“Hoje o frete de longa distância anda bem defasado e quanto mais longo o trecho, pior para nós. É um frete caríssimo, que para os transportadores não traz benefícios. O valor líquido que sobra para o caminhoneiro autônomo é irrisório, mal dá para manter a frota, os veículos rodando. E o tiro curto é um frete mais barato, mas no líquido sobra um pouquinho mais.”

Com a hidrovia aberta, mais de seis milhões de toneladas de carga voltarão a ser escoadas pelo local. Dados do Departamento Hidroviário mostram que um comboio de barcaças retira cerca de 200 caminhões das estradas, o que corresponde uma redução de 40% nos custos do transporte.

Quase dois anos de paralisação

A hidrovia Paraná-Tietê tem 2,4 mil quilômetros de extensão, corta as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e recebe o transporte de cargas e passageiros. Teve a navegação interrompida em maio de 2014 com a crise hídrica em São Paulo. O prejuízo pela suspensão das atividades foi de R$ 685 milhões, com a demissão de 1,4 mil trabalhadores, de acordo com dados do Sindicato dos Armadores da Navegação Fluvial de São Paulo.

A paralisação sobrecarregou o transporte rodoviário. Produtores e transportadores passaram a escoar as cargas diretamente para os portos de Santos (SP), Paranaguá (PR) e para o porto seco Sul de Minas, em Araguari. “Aumentou o tempo de viagem, o desgaste dos veículos e as despesas, com pedágio e combustível. Para nós, foi muito difícil”, afirma Vanderli.