International Caminhões tem agora fábrica própria em Canoas/RS, e corre atrás de 1% do mercado brasileiro

por Mauro Cassane,
editor-chefe, de Canoas/RS, para o Brasil Caminhoneiro.

Depois de mais de 15 anos pagando aluguel, a International resolveu deixar as instalações da Agrale, em Caxias do Sul, RS, para ter uma fábrica inteiramente sua na cidade de Canoas, no mesmo estado. A opção pelo local foi bastante óbvia já que ali já funciona há décadas a linha de motores diesel MWM International.

O nome agora é Complexo Industrial Navistar. Ontem, na solene cerimônia de inauguração, para os 150 colaboradores e uma centena de outros convidados, estavam presentes o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, o prefeito de Canoas, Jairo Jorge da Silva, o presidente da divisão global de caminhões e motores da Navistar, Eric Tech, o presidente e CEO da Navistar South America, Waldey Sanches e o presidente da International Caminhões no Brasil, Guilherme Ebeling.

DuraStar 6x4

Com 40 mil metros de área, o Complexo Industrial emprega 1,1 mil funcionários, mas apenas 150 destes trabalhadores vão atuar exclusivamente na nova linha de produção dos caminhões International que ocupa um galpão de 12 mil metros quadrados de área construída. Embora concebida com o moderno conceito de estoque baixo, no bom sistema “Just in time”, a fábrica está dimensionada para atender a atual expectativa da International com o mercado nacional: produz dois caminhões por dia.

Mas as instalações estão preparadas para voos mais audaciosos. A nova fábrica tem capacidade para produzir 5 mil unidades por ano (isso em três turnos, por ora funciona um). A International vendeu 371 caminhões em 2011, subiu para 522 no ano passado e espera fechar este ano com pouco mais de 700 unidades comercializadas. A perspectiva, segundo Waldey Sanches, é chegar a 1% do mercado no ano que vem, o que obrigaria a marca americana a vender aqui no mínimo 60% a mais do que pretende comercializar até o final deste ano. O desafio não é nada simples quando se lança olhos para seus concorrentes que contam com duas vantagens de peso: muita tradição no País, além de serem, exceção à Ford, de origem europeia.

Linha de montagem da International Caminhões

Há mais de cinquenta anos que o brasileiro compra caminhões com o conceito europeu, e não americano. Embora a International, em um trabalho arqueológico, mostrou que nos anos 1950 houve uma tímida tentativa de se produzir caminhões da marca aqui (e foram mesmo produzidos e vendidos). Mas depois o mercado foi inteiramente dominado pelas marcas do velho continente.

A americaníssima Ford destoa um pouco da lógica mas, como artimanha, produziu aqui caminhões com a cara e o jeito dos europeus. E assim deu certo. Já a International parece convencida que vale a pena apostar no “american truck style”. Tanto o modelo 9800i extrapesado como o médio DuraStar, os dois modelos que os operários gaúchos já estão produzindo, ostentam, em tudo, o jeitão parrudo e robusto dos caminhões americanos. O médio DuraStar, inclusive, é bicudo.

International 9800i

Os caminhões, indubitavelmente, são bons e, o que é melhor, com nacionalização acima de 65%, finamizados. O 9800i, apenas com a opção de 410 cv, vem equipado com a caixa de transmissão sincronizada Eaton de 13 velocidades e há também o modelo automatizado com a Eaton de 18 velocidades. Já o DuraStar, muito apropriado para trabalhos mais severos, tem potência de 274 cv.

O que a International queria já tem: sua própria fábrica. Falta, ainda, e o que sempre foi mais complicado, formar uma rede de concessionárias saudável e com boa capilaridade. Caminhão pesado pressupõe viagens para todos os cantos de um País continental. Por ora as 13 revendas não servem como bom argumento para se vender um caminhão que de manhã pode estar em Porto Alegre e, a noite, estacionando em um posto nas cercanias de Campo Grande, MS, para na manhã seguinte seguir viagem para Rondonópolis. Todo mundo sabe que caminhão pesado precisa de suporte técnica em todo território nacional.

Waldey Sanches, presidente e CEO da Navistar South America

Guilherme Ebeling, presidente da International Caminhões no Brasil, enquanto seu forte não é a capilaridade da rede, corre atrás de empresários com vocação em vender caminhões que venham a se interessar pelo negócio. “Este ano vamos abrir mais sete novas concessionárias e também vamos contar com mais 20 postos avançados de serviço”. Já Waldey Sanches, o CEO de toda operação da Navistar na América do Sul, aponta ainda alternativa criativa: “neste começo podemos também usar nossa rede MWM, com 468 casas, para nos dar algum suporte técnico”. Porém, de acordo com Sanches, em 2015 a International contará com 70 concessionárias no País. “Aí sim nossa perspectiva é comercializarmos mais de três mil caminhões International no Brasil”.

Nos últimos três anos a Navistar, que detém as marcas International e MWM, investiu 400 milhões de reais no Mercosul e boa parte destas inversões foram para o desenvolvimento dos motores que atendem as normas Euro 5 e, também, a preparação da nova casa fabril. Os números ainda são modestos, mas a empresa se mostra confiante no sucesso a longo prazo. “Vamos dar os passos sempre do tamanho de nossas pernas”, diz Sanches.

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