MAN Latin America vai consolidar conceito de uma empresa com duas marcas na Fenatran

Por Mauro Cassane

A marca até pode ser alemã, mas não há fabricante mais brasileira do que a Volkswagen Caminhões e Ônibus. A empresa, especialista em carro no mundo todo, se pôs a fazer caminhões no Brasil há exatos 30 anos. E o que parecia uma aventura maluca, ou até oportunista, se transformou em uma das mais bem sucedidas investidas da indústria automotiva nacional.

Os caminhões com o “bolachão” da Volkswagen levaram um bom tempo para ganhar a confiança dos caminhoneiros e, depois, dos empresários. Os concorrentes, e alguns analistas, torceram o nariz quando eles anunciaram um tal de “consórcio modular” que consistia, e ainda consiste, grosso modo, em fazer os fornecedores botarem, literalmente, a mão na massa e construir caminhões.

Na Fenatran deste ano, a Volkswagen Caminhões e Ônibus continua tão firme quanto forte. Lidera o mercado total de caminhões com mais de 30% de participação e agora responde a uma marca de respeito mundial, a MAN.

Quando a compra foi anunciada, mais uma barbeiragem dos analistas: eles, estes “experts”, disseram que a marca Volks iria sumir dos caminhões. Não vai. Nesta Fenatran estarão lá, duas marcas em um estande único, mas dividido em dois: de um lado os populares caminhões Volks e, do outro, os ainda pouco conhecidos dos brasileiros pesadões da MAN.

Aproveitando que a lei agora obriga a todos motorização mais amigável ao meio ambiente, respeitando os padrões da Euro 5, a MAN Latin America resolveu mexer em tudo nos caminhões Volks.

A cara é a mesma, mas por dentro, quanto diferença! Os caminhões foram inteiramente reformulados. Ganharam mais potência, novos conjuntos de embreagem, novas transmissões (Eaton e ZF), novos sistemas de freio, painel de instrumento maior e com mais funções e acabamento interno diferenciado, com destaque aos novos tecidos dos bancos e do revestimento interno.

Por isso, a partir do ano que vem, os novos caminhões da Volks fazem parte da Linha Advantech. Para dar um ar mais limpo, os motores utilizarão tecnologia SCR, dos motores Cummins, e a tecnologia EGR, comum nos motores que levam a marca MAN (estes, como já anunciado em agosto, produzidos aqui mesmo no Brasil, na cidade de São Paulo, em uma linha de montagem da MWM).

“Faremos uso das duas tecnologias para atender a toda demanda de nossos clientes”, afirma Ricardo Alouche, diretor de vendas e marketing da MAN Latin America. Uma novidade interessante é que o modelo mais pesado da linha Constellation, o 24.280, terá motorização MAN, os demais continuam com os motores Cummins.

Em seu estande da Fenatran os visitantes terão contato com 25 novos modelos das duas marcas. Os dois modelos MAN que serão expostos, o MAN TGX 29.440 6×4 e o MAN TGX 33.440 6×4, já estão em franca produção em linha de montagem específica na fábrica de Resende, RJ.

Com estes modelos, mais um leque de MAN importados, o plano é brigar no segmento acima de 45 toneladas onde a marca tem a menor participação, apenas 14,7%. “Durante o evento, vamos lançar o consórcio MAN, para dar um impulso ainda maior em nossas vendas neste segmento”, diz Alouche.

A MAN Latin America também vai aproveitar a onda de motores mais amigáveis ao meio ambiente para apresentar os avanços de suas pesquisas com combustíveis alternativos no Brasil. Um Volkswagen Constellation híbrido, um caminhão MAN movido com a mistura diesel e etanol na proporção de 55% e a apresentação do biodiesel de segunda geração Ultra Clean também estão entre as novidades da MAN Latin America.

Foto: Divulgação MAN