Mulheres têm salário até 33,8% menor do que os homens na indústria automotiva

Em contrapartida, as mulheres possuem maior nível de escolaridade

83% dos cargos em empresas da cadeia produtiva são ocupados por homens. Essa é uma das conclusões da pesquisa Presença Feminina no Setor Automotivo, realizada pelo site Automotive Business em parceria com a MHD Consultoria.

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Um dos fatores que podem contribuir para que as mulheres não se interessem tanto em desenvolver carreira no setor automotivo é a alarmante diferença salarial em relação aos homens, presente desde as posições iniciantes.

Entre estagiários, a pesquisa indica que as profissionais do sexo feminino recebem remuneração 0,8% inferior à dos colegas do sexo masculino. O abismo se aprofunda em cargos mais altos, chegando a absurdos 33,8% de desvantagem para as mulheres que ocupam cadeira de vice-presidente ou presidente de companhias automotivas.

A desvantagem é bem maior do que a identificada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), que indica que as mulheres recebem 16% a menos do que os homens globalmente.

A pesquisa Presença Feminina no Setor Automotivo teve como foco fabricantes de autopeças e montadoras de veículos, que representam 68% dos participantes do estudo.

O levantamento, no entanto, foi aberto e assim teve respostas de outros elos da cadeia automotiva, como fornecedores de insumos e de serviços.

Ao todo foram 127 respostas em um universo-alvo de menos de 500 empresas, o que garante, portanto, alta confiabilidade. O foco estava em entrevistar responsáveis por áreas de recursos humanos das companhias automotivas.

Participação aumenta durante a crise

O estudo comparou os dados das empresas de 2017 com os registrados em 2013, período pré-crise em que o setor automotivo teve pico no nível de empregos.

O levantamento mostrou saldo positivo. No período avaliado, cresceu de 15% para 17% a participação das mulheres no quadro de colaboradores das empresas entrevistadas, com os homens mais afetados pela redução no número de trabalhadores durante a crise.

Presença Feminina

A participação da mulher também cresceu consideravelmente na liderança das empresas entrevistadas, com aumento de 52,7% no número de colaboradoras em cargos de diretoria entre 2013 e 2017.

Apesar do salto porcentual, o número absoluto ainda é pequeno: são 84 mulheres diretoras entre as companhias participantes do estudo. Quando analisadas posições de vice-presidência e presidência, o número permanece estável, com 17 mulheres nestas posições.

Ainda assim, o cenário geral é de desigualdade na liderança da indústria automotiva, já que apenas 40% das empresas entrevistadas contam com mulheres em cargos de diretoria.

O caso é ainda mais grave quando analisada a vice-presidência e a presidência, posições que são ocupadas por profissionais do gênero feminino em apenas 13% das empresas pesquisadas.

Quando analisado o quadro total de funcionários, só 0,6% do total dos trabalhadores das empresas entrevistadas são mulheres em posição de liderança. O número é pequeno se considerado que, em média, uma grande empresa industrial tem de 3% a 5% de seus colaboradores na liderança.

Mulheres são mais escolarizadas

Ironicamente, mesmo com presença menor na liderança, a mulher é mais escolarizada do que os homens na indústria automotiva. Das empresas participantes do estudo, 37% do quadro feminino de funcionárias tem ensino superior completo e 8% acumulam ainda especialização. Entre os homens que trabalham nas empresas do setor, apenas 23% têm ensino superior e só 6% fizeram um curso de especialização.

Homens têm mais longevidade no setor

Nas empresas que participaram da pesquisa, há percentual maior de homens nas faixas etárias entre 31 e 45 anos (53% do total) e acima de 46 anos (21%). Entre as mulheres, a longevidade no setor automotivo é menor: 48% têm entre 31 e 45 anos e só 11% estão na faixa etária acima de 46 anos.

Com informações do Automotive Business e do UOL

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