Na estrada, além dos buracos, fique atento aos espelhos d`água que podem causar acidentes graves

por Evelyn Haas
da Redação do Portal

Chuva forte ou fraca pode representar grandes perigos nas estradas. A visibilidade fica ruim, buracos ficam maiores e há riscos de enchentes. Mas há outro perigo, um tanto desprezado, que é capaz de causar grandes estragos e, muitas vezes, ser fatal. Trata-se da aquaplanagem.

Giovani Rossi, consultor da ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos), explica melhor o fenômeno: “a chuva forma uma camada de água no piso de asfalto que pode fazer com que os pneus percam contato com a pista; às vezes, um pequeno trecho já é suficiente. Desta maneira, o motorista perde o controle do veículo”.

De acordo com o consultor, a aquaplanagem ocorre quando a quantidade de água retida na área de contato entre pneu e pista, supera a capacidade de escoamento dos sulcos da banda de rodagem do pneu. Nessa condição, forma-se uma película de água entre o pneu e a pista, provocando perda de contato entre os elementos.

Mas o espelho d’água (como também é conhecida a aquaplanagem), pode ser identificado com certa antecedência. De acordo com a especialista em psicologia e segurança no trânsito, Salete Romero, caso o condutor esteja atento, pode visualizá-lo, mas, enfatiza, “não é comum que isso ocorra”. Neste caso recomenda para jamais trocar de faixa, pois amplia o risco de acidentes, uma vez que irá surpreender os outros motoristas que também estão na pista. “O ideal quando vir o espelho d’água é passar por ele em baixa velocidade e os pneus (se estiverem em bom estado) vão dar conta de fazer o escoamento e vazão, firmando-se no solo”.

O consultor da ANIP destaca que o perigo é maior em caso de fortes chuvas, e se agrava se a pista estiver em más ou irregulares condições, “algumas pistas não têm a conveniente curvatura transversal para escoamento da água ou, ainda mais grave, possuem ondulações ou depressões formando grandes espaços capazes de reter água”.

Salete Romero recorda que é grande o número de pessoas que dirigem em pista molhada como se estivessem em pista seca – realizando, inclusive, ultrapassagens -, e completa: “Com a pista molhada, é preferível e mais recomendável evitar ultrapassagens. Por outro lado, se isso ocorrer, o veículo que está sendo ultrapassado deve reduzir a velocidade para facilitar a ultrapassagem”.

Segundo a inspetora e chefe da Comunicação Social da Polícia Rodoviária Federal de SP (PRF), Luciana Rocha, em dia de chuva, a velocidade necessariamente deve ser 20% inferior a da sinalização. Ou seja, caso a recomendação for de 100 Km, diminuir para 80 Km, e diminuir para 60 Km caso a visibilidade esteja reduzida.

Em baixas velocidades é praticamente impossível acontecer a aquaplanagem. “Em rodovias, a velocidade permitida no Brasil chega a 120 km/h e nessa condição, no caso de fortes chuvas, o risco é maior”, ressalta Giovani Rossi. Contudo, para caminhões, a velocidade permitida é sempre 20% inferior à dos automóveis.

Para Giovani Rossi, especialista da ANIP, alta velocidade e pneu careca (com a profundidade dos sulcos da banda de rodagem inferior ao limite legal, que é de 1,6 milímetros) e muita água na pista, são os principais causadores da aquaplanagem. “Quanto maior a velocidade do veículo menor a capacidade de escoamento da água entre pneu e pista. Quanto menor a profundidade dos sulcos da banda de rodagem, menor a quantidade de água que pode ser expelida. A pressão excessivamente baixa ou excessivamente alta do pneu, também influi na ocorrência do fenômeno”.

Se a aquaplanagem ocorrer em estradas com boas condições, o problema está no condutor do veículo. “A estrada boa, às vezes pode comprometer o veículo, pois o condutor tende a achar que a pista é um ‘tapete’ e excede a velocidade. Mesmo em uma pista boa, a aquaplanagem tem condições de existir”, reforça a inspetora.

Já Rossi ressalta que “em boas rodovias, com pneus dotados de regular profundidade dos sulcos e pressão correta, mesmo com chuva intensa e velocidade coerente, a possibilidade de aquaplanagem é remota”, comenta.

A especialista em Segurança no Trânsito lembra que condutores de transporte de carga no Brasil sabem que as condições atuais dos asfaltos nas rodovias nacionais não apresentam boa qualidade. “No estado de São Paulo estão as melhores rodovias, são privilegiados os que circulam por elas. O resto é caótico”, comenta.

A PRF não possui a informação de quais são os pontos sujeitos à aquaplanagem. Conforme explica Luciana Rocha, “o asfalto é muito dinâmico, como a qualidade interfere diretamente, pode ser que em um ano tenha em determinado trecho e no outro não”.

Também é inexistente uso de sinalização específica que advirta uma possível aquaplanagem. “Não há sinalização regulamentar. Existe sinalização especial de advertência. O motorista deve seguir o bom senso. Sob chuva ou neblina, é recomendável acender os faróis e reduzir a velocidade”, reforça Luciana.

Como agir no caso do veículo aquaplanar

O consultor da ANIP  é contundente se o carro desgarrar numa aquaplanagem – “Não existe a fórmula mágica diante desta situação. A solução é a prevenção: pneus em ordem, pressão dos pneus regulada e velocidade contida em coerência com o volume pluvial do momento e em coerência com o tipo e condições da estrada e também com as próprias habilidades do condutor do veículo”.

A inspetora da PRF recorda que jamais se deve pisar no freio bruscamente, pois fará o carro rodar e, possivelmente, até capotar. A dica é: desacelerar e tentar manter o controle na direção. Para Salete Romero, é importante o motorista se conscientizar destas dicas de segurança.

Como bem nota a especialista, a “aquaplanagem não o único fator que pode colocar o motorista em situações perigosas em uma pista escorregadia. É o caso da mistura de resíduos da pista, restos de borracha, poeira, resíduos de óleo, restos de combustível. As primeiras gotas de chuva fazem com que a pista fique escorregadia, o que é diferente da aquaplanagem”.

Anote as dicas dos especialistas:

1- A regra é, sob chuva, sempre estar abaixo da velocidade regulamentar da via

2- Acender os faróis em caso de chuva ou neblina

3- Manter distância de segurança de no mínimo 30 metros

4- Evitar usar o freio convencional, usar o freio motor

5 – Pneus devem estar em boas condições

6- Checar a parte elétrica

Foto: Ilustração