Ônibus elétrico e autônomo inicia circulação na China

Veículo criado por montadora chinesa recebe dados do ambiente através de câmeras 360° e roda de forma autônoma.

Ônibus elétrico e autônomo roda desde abril na China. (Foto: Divulgação)

Projetado e construído pela montadora chinesa Enchi Auto, o ônibus elétrico autônomo Enchi Self Driving EV Bus trafega pelas ruas da unidade da companhia em Huzhou, cidade localizada na província de Zhejiang, na China, desde abril, quando foi apresentado a representantes do governo do país, clientes, parceiros e imprensa.

O sistema que possibilita ao veículo trafegar sem um condutor humano é o VIA Mobile 360 ADAS. A solução, da VIA Technologies, é capaz de captar imagens de tudo o que acontece ao redor do EV Bus. A partir disso, ele pode interpretá-las e compará-las a outras informações enviadas por outras fontes.

Veja o ônibus em ação

Como funciona?

Quatro câmeras externas possibilitam a captura de uma visualização de 360 graus ao redor do veículo. O maior diferencial, porém, é o ADAS (Advanced Driver Assistance Systems), sensor localizado na dianteira do ônibus que, dotado de vídeo analítico, identifica e interpreta todas as variáveis envolvidas na condução, como distanciamento das faixas de rolagem, limite de velocidade da via e interpretação dos semáforos (se estão vermelhos ou verdes) e da sinalização. Dessa forma, os dados são combinados a outros recebidos de outras fontes, como a geolocalização via GPS, e encaminhados à central do veículo, uma plataforma big data que define os comandos que farão o veículo ter uma reação adequada e instantânea em cada situação.

O sistema autônomo de condução utiliza algoritmos avançados para, por exemplo, a partir dos dados recebidos do ADAS, manter o veículo a uma distância segura dos demais, trafegar a uma velocidade pré-estabelecida ou adotar um modo segurança quando há pedestres próximos da via. Se há um afastamento das faixas, o sistema corrige a rota imediatamente. Caso surja um obstáculo, o veículo para sozinho e retoma o movimento assim que possível.

“O ADAS identifica o limite de velocidade na placa, verifica o que é registrado naquele momento no odômetro, combina os dados e os envia à central do veículo, que realiza os ajustes ou comandos necessários”, exemplifica Ubiratan Resende, diretor geral da VIA Technologies no Brasil. “O mesmo ocorre com relação à manutenção de uma distância segura e a velocidade dos demais veículos”, acrescenta.

Outras funcionalidades

Além das variáveis envolvidas na condução autônoma, o ADAS processa permanentemente informações como temperatura do motor, condição dos freios, se faróis e setas estão acionados, nível de água e óleo, etc. “Tudo o que é registrado pelo scanner do veículo é monitorado permanentemente”, afirma Resende.

Dados como localização, trajeto, paradas programadas, velocidade e status dos principais componentes aparecem, em tempo real, em uma tela localizada no interior do ônibus, para que os passageiros possam saber tudo o que está acontecendo.

O sistema também identifica o número de passageiros e quando alguém quer descer ou entrar no ônibus. “O ônibus para e abre sua porta sozinho para embarques e desembarques. A identificação do número de passageiros é importante para garantir o conforto de quem está no veículo. No Brasil, poderia garantir que os ônibus não ficassem lotados”, diz Ubiratan.

Uso atual e futuro 

Hoje, lugares como unidades industriais, aeroportos, parques tecnológicos e universidades, que oferecem ambientes geralmente fechados, são os primeiros em que veículos autônomos operam. Porém, segundo Resende, o uso de veículos autônomos, particularmente ônibus, deve ganhar escala rapidamente.

“A partir de 2022, eles já devem ser bastante populares em grandes cidades, inclusive no Brasil”, diz. “Não há barreiras para a tecnologia. Ela basicamente depende do GPS, que é utilizado por muitas pessoas, por exemplos, com aplicativos que informam rotas”, completa.

Estimativa da consultoria Tractika aponta que o mercado de caminhões e ônibus autônomos deve atingir um valor de US$ 35 bilhões até o final de 2022, quando a produção anual deve atingir 188 mil unidades, ante as 343 registradas em 2017.

No segmento de máquinas agrícolas, os veículos autônomos já são uma realidade. “Algumas indústrias que desenvolvem tecnologia no país estão realizando consultas para produzirem tratores e colheitadeiras autônomos aqui no Brasil. Esse maquinário é fundamental para a chamada agricultura de precisão”, finaliza Ubiratan.