RJ-163 é interditada por tempo inderterminado em Visconde de Mauá

Fortes chuvas causaram queda de barreiras na RJ-163, única ligação de Visconde de Mauá com o Sul Fluminense.

RJ-163, na região de Visconde de Mauá teve queda de barreiras. (Foto: Anderson Patrick - PMR/Divulgação)

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A RJ-163, que liga à Rodovia Presidente Dutra à região de Visconde de Mauá, em Resende, no Sul Fluminense, – a cerca de 205 km do Rio, foi interditada por tempo indeterminado, nesta terça-feira, para limpeza e estudo de segurança da via.

A estrada está bloqueada desde a madrugada de domingo, quando um temporal provocou a queda de 50 barreiras na região. Na segunda, a via foi reaberta por algumas horas para veículos leves, mas, como não havia condições de tráfego, voltou a ser fechada no início da noite.

O diretor da Defesa Civil de Resende, Atanagildo de Oliveira Alves, explicou que engenheiros do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), técnicos da Defesa Civil municipal e geólogos do Departamento de Recursos Minerais do estado estiveram na terça-feira na região para avaliar as condições do principal acesso à Visconde de Mauá.

“A desobstrução será demorada porque foram muitos pontos de quedas de barreira, e estamos fazendo o serviço apenas com máquinas comuns para não danificar ainda mais a pista. Mas já estamos desobstruindo a RJ-161, na Serra do M, que liga Resende ao estado de Minas Gerais. É uma estrada de chão, mas fica mais fácil para limparmos com retroescavadeira de esteiras”, disse Atanagildo.

Consequências

Com o fechamento da RJ-163, moradores e comerciantes temem o desabastecimento de combustível e de alimentos em Visconde de Mauá.

“Já estamos passando por um período difícil por conta da baixa temporada e da informação de caso de febre amarela em macaco, em Itatiaia, mas agora a situação piorou com a interdição. Caminhões grandes não sobem nem descem. Com isso, não tem coleta de lixo nem entrega de combustível. O posto aqui perto está com um fila de cerca de 50 carros para abastecer, são motoristas com medo de ficar sem gasolina”, disse a comerciante Mariana Dantas, que já fez um estoque de comida e bebida para abastecer o bar e a casa onde mora.

O presidente da Associação Turística e Comercial da Região de Visconde de Mauá, Paulinho Gomes, afirma que a situação no distrito ficou muito complicada.

“Estamos isolados. Tira uma barreira, cai outra. O volume de chuva foi muito grande. Nunca vi isso ao longo dos 35 anos que moro aqui. As prefeituras de Itatiaia e Resende deram apoio para retirar as primeiras barreiras, mas precisamos de mais assistência. O governo do estado vai ter que ter ação muito emergencial, porque a estrada caiu e as cortinas de sustentação da via também caíram.”

Segundo ele, além da questão turística, o medo é de uma tragédia na região:

“Vimemos exclusivamente do turismo, são mais de 6 mil pessoas que dependem do turismo. Mas o nosso medo maior é de que uma catástrofe aconteça. E aqui ainda temos muitos idosos, crianças, portadores de deficiência e até gente que precisa de ir ao médico ou fazer cirurgias, mas que não conseguem sair da região.”

Situação da região

O presidente da associação ressaltou, no entanto, que a chuva não provocou grandes estragos em Visconde de Mauá. “Apesar da grande quantidade de chuva, a região está apta a receber turistas. O problema todo está no acesso, na Serra. Quando liberarem a via, a vida seguirá normalmente aqui”

Segundo a prefeitura de Resende, o bloqueio da rodovia fechou os acessos a Maringá e Maromba, em Itatiaia; Visconde de Mauá, Lote Dez, Campo Alegre, Rio Preto e Bagagem, em Resende. De acordo com a Defesa Civil, choveu 200 milímetros em três horas, o previsto para todo o mês de março.

Na Região Serrana, o temporal de sábado deixou um morto e 18 famílias desalojadas em Petrópolis. No bairro Caxambu, um dos mais atingidos, ruas, casas e lavouras foram destruídas. O produtor rural Danilo Oliveira dos Santos, de 30 anos, foi arrastado pela enxurrada por cerca 20 quilômetros ao tentar salvar o carro. O corpo dele foi achado, na tarde de domingo, no distrito de Nogueira.

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