Roubo de cargas no Rio de Janeiro é tema de moção em Nova Iorque

Dentre os assuntos em pauta, a situação do roubo de cargas no Rio de Janeiro foi a que chamou mais a atenção dos participantes

RouboAconteceu na última quarta-feira (24), em Nova Iorque, o primeiro dia da XXVII Assembleia Geral Ordinária da CIT (Câmara Interamericana de Transportes). Dentre os assuntos em pauta, a situação do roubo de cargas no Rio de Janeiro foi a que chamou mais a atenção dos participantes. A Assembleia aprovou por unanimidade moção de repúdio apresentada pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) em razão da insegurança sofrida pelos que trabalham no setor de transporte de bens e de pessoas no estado. Aprovada pelos 18 países integrantes da Câmara Interamericana de Transportes, a moção é destinada à OEA (Organização do Estados Americanos).

O documento apresentado pelo presidente da CNT, Clésio Andrade, informa que, no período de 2011 a 2016, os roubos de cargas no Brasil aumentaram 86%, causando um prejuízo de mais de R$ 6,1 bilhões ao país, especialmente às empresas transportadoras e aos transportadores autônomos. “Foram quase 98 mil ocorrências, o que representa um roubo a caminhão a cada 23 minutos”, calcula Clésio Andrade.

O roubo de cargas se tornou tão grave que, em uma lista de 57 países, o Brasil é apontado como o oitavo mais perigoso para o transporte de cargas, ficando à frente de países em guerra e em conflito civil, como Paquistão, Eritreia e Sudão do Sul.

“O roubo de cargas é um crime que tem efeito em cadeia na economia, com a transferência de custos extras para a sociedade”, alertou o presidente da CNT, Clésio Andrade. Segundo ele, o grande impacto social é o aumento da violência, uma vez que o roubo de cargas vem sendo utilizado para financiar o tráfico de drogas e de armas.

O número de ônibus e caminhões queimados no Rio de Janeiro é também considerado alarmante. Só nos primeiros quatro meses do ano, foram registrados 39 incêndios de coletivos e caminhões, número superior às ocorrências de todo o ano passado.

Ao aprovar a moção de repúdio apresentada pela CNT, a Assembleia Geral da CIT, que está sendo realizada na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, reconheceu a gravidade do tema e decidiu levá-lo ao conhecimento de todos os países integrantes da OEA, considerando que, se não for solucionado, o problema de roubo de cargas repercutirá em outros países, como já é observado na Guatemala.

A mesa diretora foi composta por Luisa Rodrigues, representante da UNCTAD-ONU; Clésio Andrade, presidente da CNT; Paulo Vicente Caleffi, Secretário-Geral da CIT; Martín Sánchez Zinny, Subsecretario-Geral da CIT; e Olivier Bouclier, da Associate Dean of University of Miami, School of Business and Administration. O presidente da NTC&Logística, José Hélio Fernandes, esteve presente e participou de todas as atividades.