Setcergs afirma que condições de rodovias encarece custo logístico no Rio Grande do Sul

Segundo o Setcergs, o transporte de cargas no Rio Grande do Sul está sofrendo com as condições rodoviárias e os custos implicados nestes problemas.

Segundo o Setcergs, o transporte de cargas no Rio Grande do Sul está sofrendo com as condições rodoviárias.

Rodovias no Rio Grande do Sul são responsáveis por alto custo no transporte. (Reprodução Google Maps)

De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Rio Grande do Sul (Setcergs), a má conservação das rodovias no Rio Grande do Sul é um fator que contribui para o encarecimento do custo logístico e do transporte rodoviário de cargas no estado.

Os caminhões rodando pelas rodovias gaúchas desgastam de forma mais rápida do que os que trafegam por estradas de qualidade. São molas, freios, pneus e carrocerias que sofrem sérias avarias durante as viagens.

Afrânio Kieling, presidente do Setcergs, ressalta que isso aumenta o custo logístico entre 0,3% e 0,4% ao ano. Essa conta representa quase 25% do Produto Interno Bruto (PIB), quando não deveria ser mais do que 6,2%. Ou seja, cerca de um quarto do preço de tudo que se paga é em decorrência das más condições de infraestrutura. Nos Estados Unidos, não passa de 8,5%. Na Europa, fica abaixo de 8%.

” É importante lembrar que o transporte rodoviário é o principal modal da matriz logística do Rio Grande do Sul, correspondendo a quase 90% da movimentação no estado. Com estradas sem pavimentação ou não duplicadas, temos um gasto mais elevado, fazendo com que o custo repassado aos produtos transportados represente cerca de 30% do valor da mercadoria. A solução é o investimento pesado em infraestrutura, que nos dê estradas em condições para transitar”, afirma.

Investimento para melhora

Kieling lembra que países que investem em infraestrutura apresentam um Produto Interno Bruto superior ao brasileiro e o custo com transporte de cargas representa, em média, menos de 10% do PIB.

“Se tivéssemos estradas em plenas condições os custos variáveis de transporte, como combustível, pneus, peças e manutenção dos caminhões poderiam ser reduzidos em até 20%. As más condições das rodovias é que encarecem a logística”, ressalta.

Outro detalhe que chama a atenção é que muitas das rodovias gaúchas têm mais de quarenta anos de existência. Foram projetadas para receber um determinado tipo de caminhão e, hoje, por elas, trafegam veículos maiores e mais pesados. Isso causa a rápida deterioração da estrada e, como não são reparadas adequadamente, piora as condições de trafegabilidade.