Shacman quer atender demanda reprimida do transporte de cana e madeira

por Fábio Rogério
da Redação do Portal

A Shacman quer atender uma demanda reprimida por caminhões pesados com preço competitivo, de fácil manutenção e ideais para trabalhos pesados (principalmente no transporte de soja e cana, e em grandes obras da construção civil). Nesta segunda e última parte da entrevista com João Comelli, diretor de produto da fabricante, saiba quais são os diferenciais da marca chinesa frente à concorrência:

Quais são os planos da Shacman com relação à expansão de concessionárias?
Vamos começar com sete ou oito, talvez nove, e depois a cada três meses inauguraremos mais quatro. O nosso número ideal de revendas para o Brasil seria de 30 unidades. Nos concentraremos nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Nosso caminhão tem vocação para serviços de transporte de cana e soja, sendo capaz de puxar um bitrem com seus 420 cavalos de potência, tração nas rodas e redução dos cubos. Mal começamos a divulgar o nosso caminhão na mídia e já surgiu mais de 50 contatos para parcerias.

Frente a concorrentes tradicionais, quais são os diferenciais da Shacman para ingressar no mercado brasileiro de caminhões?
A Shacman tem um powertrain com motor Cummins ISM – o mesmo utilizado somente pela International. Esse motor equipa 80% dos caminhões norte-americanos há mais de 40 anos. E quando as pessoas olharem nosso veículo de perto, verão que ele é robusto. A China foi reconstruída em cima de caminhões como o nosso, que trabalham pesado e têm fácil manutenção, além de ter uma tecnologia P7 já homologada. Em motores, vamos ter a cobertura da Cummins no Brasil inteiro. Vendi cerca de seis mil unidades em seis anos desses modelos na Angola, África, e a performance só baixou por conta da crise financeira mundial. E quem eram os clientes? Construtoras chinesas e brasileiras.

Os caminhões têm versões com câmbios automatizados?
Não temos, e estamos trabalhando nessa versão. Leva tempo, pois precisamos testar em dois campos de prova: uma na China e outro em Angola. E em breve teremos um campo aqui no Brasil.

Como diretor de produto da Shacman, qual a sua visão pessoal sobre o futuro dos caminhões automatizados? Eles dominarão o mercado em pouco tempo?
O Brasil tem dificuldades com mão-de-obra, e quanto mais automatizados forem os caminhões, melhor para o controle das empresas. E isso não é uma tendência nossa, é mundial. Agora, na relação Custo-Benefício, hoje o frotista brasileiro tem que fazer muita conta para lucrar. Temos vários segmentos que estão sendo deixados de lado exatamente por causa do custo do caminhão. A área madeireira, por exemplo, não renova sua frota por causa do preço alto dos veículos novos. A área canavieira chegou a ficar dois anos sem comprar um zero quilômetro. As usinas de cana terceirizaram sua frota, remuneraram muito mal os transportadores e estes ficaram quase três anos sem comprar. E eu tenho um caminhão que é competitivo, dando a margem necessária para o transportador trabalhar.

Qual a estimativa de vendas da Shacman para 2012?
No primeiro ano, estamos bem tímidos: Queremos vender mil caminhões. Acho que nos primeiros seis meses posso chegar a esse número, mas prefiro trabalhar com esse número de mil para os 12 meses.

E o que a empresa está preparando para a Fenatran?
Temos cinco modelos de caminhões, mas vamos levar três na Fenatran. Teremos um caminhão 6×4, que pode ser colocado em transporte de cana e de madeira; um 4×2, com 385 cavalos, para transporte de areia e trabalhos de operações curtas; e um basculante, que vamos trazer da China, para a construção civil.

Não leu a primeira parte desta entrevista? Clique aqui.

Fotos: Divulgação Shacman