Conheça Waguinho Guitar, motorista brasileiro que é sucesso nas redes sociais

Canal no YouTube sobre ônibus e a vida na estrada abriram as portas para o continente africano

"O trânsito em Angola é confuso. As pessoas entram com os carros na calçada se não há espaço na via”, afirma
“O trânsito em Angola é confuso. As pessoas entram com os carros na calçada se não há espaço na via”, afirma (Foto: divulgação)

Com mais de 4 mil curtidas no Facebook, quase 28 mil inscritos e mais de 6 milhões de visualizações no YouTube, Wagner Correia, 36, ou Waguinho Guitar, como é mais conhecido, utiliza as redes sociais como forma de divulgar novidades no setor de ônibus e dar dicas aos profissionais da área.

Waguinho iniciou a carreira aos 17 anos como cobrador de vans no Rio de Janeiro. Aos 18 iniciou o processo para tirar a habilitação, e dois meses depois começou a trabalhar na área de transporte coletivo. Aos 21 anos, já na categoria D, passou a dirigir circulares. Sete anos depois, veio o primeiro emprego, em uma empresa de ônibus rodoviários. A partir daí ele passou a registrar em vídeos uma de suas paixões: os ônibus.

No entanto, o mesmo trabalho que o tornou conhecido também o derrubou. Descontente com um dos terminais rodoviários do Rio de Janeiro, Waguinho fez um vídeo criticando as más condições do local. “Infelizmente não tive o apoio que eu esperava dos motoristas e fui demitido”, declara.

Mas foi o vídeo também que lhe abriu novas portas. Waguinho recebeu uma nova oportunidade de um executivo brasileiro que trabalhava em Angola, na empresa Macon Transportes, concessionária de serviços públicos de transporte rodoviário de passageiros. O continente africano foi sua próxima parada.

“O executivo pediu que eu falasse com os angolanos assim como nos vídeos. Eu achei a proposta surpreendente porque eu era motorista de ônibus e, na África, eu iria trabalhar como supervisor operacional de treinamento, um cargo bem mais acima. Foi um convite muito legal e eu topei”, afirma.

“No Brasil existem redes de alimentação nas estradas. Em Angola, o que eles chamam de 'mercado' são feiras que vendem carne e milho assado”, relata. (Foto: divulgação)
“No Brasil existem redes de alimentação nas estradas. Em Angola, os ‘mercados’ são feiras que vendem carne e milho assado”, relata.

Experiência em Angola

No novo cargo, Waguinho chefiava cerca de 20 instrutores angolanos. “Nos treinamentos específicos ou na chegada de carros brasileiros no país, havia sempre um instrutor brasileiro que passava o conhecimento para os demais”, relata.

Quando questionado se indica a carreira no exterior para outros motoristas, Waguinho é sincero: “O que eu indico é que os jovens estudem e se preparem o máximo possível. Para ser motorista em outro país é importante ter uma boa qualificação. Minha situação foi um caso especial, não tem como levar isso como regra. Queria que todo mundo fosse, mas não é assim tão simples”.

O retorno definitivo ao Brasil foi em 2016, quando um problema de saúde da esposa o trouxe de volta. “Eu fiquei abalado e pedi para retornar, mas saí com as portas abertas.”

O canal Waguinho Guitar

O canal Waguinho Guitar nasceu com um objetivo: divulgar os vídeos da banda em que ele tocava. E foi o instrumento dele, a guitarra, que deu o sobrenome ao canal. Com o fim da banda, o canal tomou outro rumo a partir de 2009, quando Waguinho postou um dos vídeos gravados como motorista de ônibus. Para sua surpresa, o vídeo bombou e vieram os pedidos para que ele publicasse mais.

“Minha intenção é alertar as pessoas e trazer conhecimento porque eu sempre pesquisei muito sobre ônibus na internet e não achava nada. Antigamente, eu mostrava somente o lado bonito dos ônibus, não era muito específico. Hoje eu me preocupo mais com questões de segurança”, afirma.

Sem um emprego fixo, Waguinho aproveita o tempo livre para cuidar da família e terminar os estudos que interrompeu no ensino médio. O motorista não se diz desesperado para encontrar logo um novo emprego, o que combina com sua personalidade e o bairro onde vive no Rio de Janeiro, Paciência. “É preciso ter muita paciência para chegar até aqui”, finaliza, bem humorado.

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