Dia das Mães: A Rotina, as Dificuldades e as Vitórias de Quem Cria os Filhos no Trecho

Olá, amigas e amigos da estrada! 

Maio chegou e, com ele, aquela data que mexe com quem vive no asfalto: o Dia das Mães. Se para quem trabalha em escritório já é um desafio conciliar carreira e família, imagina para quem faz da boleia a sua segunda casa? Ser mãe na estrada é um exercício de paciência, saudade e, acima de tudo, muita competência para dar conta de tudo.

Hoje, o Brasil Caminhoneiro traz um conteúdo especial focado em quem ocupa a cabine com autoridade. Batemos um papo reto com três motoristas que são referência de profissionalismo e que transformam a estrada em um caminho de conquistas para seus filhos. 

Prepare o café e confira essas histórias de quem faz o trecho valer a pena.

Darlla: “Eles me acham superpoderosa”

Para Darlla, o caminhão é algo que vem de berço. Filha e sobrinha de motoristas, ela sempre viu a profissão com admiração, mas a segurança de verdade veio com a prática no volante.

“A minha motivação foi o meu pai e o meu tio. Eu sempre achei incrível! Quando fiz a minha primeira viagem sozinha, nossa… me senti a pessoa mais poderosa do mundo”, conta Darlla, com um sorriso que transborda orgulho.

Mas o dia a dia exige pé no chão. A distância dos filhos aperta, e é aí que entra a força de vontade.
A saudade é grande, então a gente precisa de foco. Penso que estou aqui dentro do caminhão para dar o melhor para a minha família.”

O resultado desse esforço é visível na sua independência. Com o trabalho na estrada, Darlla conquistou estabilidade: comprou seu apartamento, seu carro de passeio e ajudou os filhos mais velhos a começarem a vida — deu moto para as filhas e pagou a habilitação do filho. A caçula, de 14 anos, já trilha o caminho do estudo com cursos garantidos pela mãe.

E o futuro? Dos quatro filhos, os maiores dizem que não pensam em seguir o rumo da estrada, mas a pequena ainda balança entre o sim e o não. Já os netos são os maiores fãs: “Meu neto acha incrível, o sonho dele é crescer para ser motorista. E a minha neta? Não quer saber de boneca, ela gosta é de brincar de caminhão!”

O recado da Darlla:
“A gente tem que ser inspiração para a nossa família. É maravilhoso chegar e se sentir recebida; saber que sua família tem orgulho de você é algo muito bom, uma sensação maravilhosa. No fim, a gente faz tudo para dar o melhor aos filhos: educação e tudo de bom que pudermos proporcionar. Mas, para isso, é preciso ser forte, porque primeiro temos que ter essa força em nós para depois transmiti-la aos outros.”

Olinda: Da Saúde para o Asfalto

A história de Olinda mostra que nunca é tarde para mudar de rumo. Embora admirasse os caminhões desde criança, ela trilhou um caminho na enfermagem antes de assumir o volante profissionalmente. Começou nos leves como ajudante, passou pelo caminhão truck e hoje domina as carretas.

Sobre conciliar a maternidade com as rotas longas, Olinda revela que a organização foi a chave. No começo, com os filhos pequenos, ela fazia entregas fracionadas para voltar para casa todo dia. Conforme o caçula cresceu, ela passou a rodar pelo Centro-Oeste e Sul durante a semana, mas fazia questão de estar em casa todo final de semana. Seus meninos ficavam sozinhos, aguardando o retorno da mãe, e foi essa confiança mútua que permitiu que ela seguisse o caminho da estrada. E hoje ela segue em viagens mais longas com a carreta.

Mas o trecho não facilita, e Olinda dá o papo real sobre o que enfrenta: “A maior dificuldade é quando a gente chega em algum lugar que não tem um banheiro adequado. Nos clientes, a gente fica meio que jogada; eles não estão nem aí para o horário agendado e deixam a gente esperando. Às vezes não tem nem um banheiro adequado com chuveiro para tomar um banho. A gente acaba ficando até sem banho, então esses são alguns desafios que a gente tem que enfrentar.”

Além do descaso logístico, ela aponta a falta de companheirismo e a imprudência de alguns colegas como pontos que desgastam o dia a dia. Para Olinda, o mercado também precisa acordar: “Os patrões tinham que olhar mais para esse lado: a mulher é mais atenciosa no trânsito e procura cooperar melhor do que muitos homens por aí. Só falta oportunidade.”

Sheila: Redes Sociais e União Feminina

Inspirada pelo pai e pelo irmão, Sheila carrega o trecho no DNA. O pai sempre trabalhou com máquina pesada e o irmão começou cedo nas caçambas. Sheila tirou habilitação aos 19 anos, mas foi aos 30 que decidiu encarar o desafio do “bruto”.

Para que ela pudesse seguir seu sonho, a estrutura familiar foi o alicerce. Com os pais morando na casa da frente, Sheila tem a tranquilidade de saber que suas filhas — uma jovem de 15 anos e sua caçula de 4 anos — estão em boas mãos enquanto ela cruza o país. Mas a estrada, como ela mesma diz, é um desafio renovado a cada amanhecer:

“Desafios são todos os dias: as rotas diferentes, as serras e a imprudência… O GPS tanto ajuda quanto atrapalha, então a gente sempre procura perguntar e ter o máximo de informação com outros motoristas para não cair em lugar perigoso.”

O grande diferencial da trajetória de Sheila é que ela não está sozinha. Trabalhando em uma empresa que aposta no talento das mulheres, ela vive na prática o que muitos ainda acham que é difícil : “Nosso patrão só contrata mulheres. Uma vai ajudando a outra e botando a mulherada na estrada. Mulher, o lugar dela é onde ela quiser! Somos capazes, só basta ter força de vontade.”

Hoje, Sheila aproveita o tempo entre uma carga e outra para dividir sua rotina de mãe, mulher e caminhoneira no seu perfil no Instagram: @Sheila_katrefinha.

Essas três histórias nos mostram que, por trás de cada carga entregue, existe uma mulher profissional e independente, lutando para construir um destino melhor para sua família. Elas enfrentam a falta de estrutura e o preconceito com a mesma competência com que dominam o volante.

Neste Dia das Mães, o Brasil Caminhoneiro presta sua homenagem a todas as mães e também as motoristas, esposas de motoristas e mães de quem vive no trecho. Vocês são a força que realmente move este país!

💬 E você, companheiro(a)? Conhece uma mãe caminhoneira que te inspira? Ou você, motorista, como faz para matar a saudade dos filhos durante a viagem? Deixe seu comentário aqui embaixo!

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Feliz Dia das Mães a todas as caminhoneiras e a todas as mães do Brasil! Boa viagem!

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