Líder, Mercedes-Benz destaca entrada em novos segmentos

As linhas de pesados e extrapesados rodoviários Axor e Actros, inclusive, deverão ser um dos focos da Mercedes-Benz em 2017

Mercedes-Benz

2016 foi mais um ano de forte retração nas vendas de caminhões no Brasil. No entanto sempre há algo de bom para se extrair de qualquer situação. No caso da Mercedes-Benz, 2016 foi um ano de importantes conquistas, desde a comemoração de 60 anos de atividade no País até o fato mais recente, a retomada da liderança em vendas de caminhões após 8 anos, com 29,6% de participação de mercado contra 26,7% em 2015. Entre os ônibus também houve aumento na participação, de 52,4% para 58,4%.

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O resultado vem do reforço no relacionamento com o cliente, ouvindo necessidades e adaptando os caminhões para novos mercados. “Agora a vocação da Mercedes é achar uma solução (para a necessidade do cliente)”, afirma Roberto Leoncini, vice-presidente de Vendas, Marketing & Peças e Serviços Caminhões e ônibus da Mercedes-Benz do Brasil. “Começamos a fazer isso em 2015, e em 2016 tomamos um corpo bem significativo. A resposta veio com o aumento de participação de mercado”, avalia.

Leoncini dá exemplos para destacar o peso de novos produtos para mercados antes não atendidos pela Mercedes-Benz que resultaram nas vendas. “Parte desta alta veio com as introduções que nós fizemos, do 1316, do 3030, do 3026, do 2730, assim como das melhorias que fizemos no Axor, principalmente no off-road com a introdução do cambio automatizado, e também na alta do Actros, que cresceu muito”, explica.

Roberto Leoncini, vice-presidente de Vendas, Marketing & Peças e Serviços Caminhões e ônibus da Mercedes-Benz do Brasil
Roberto Leoncini, vice-presidente de Vendas, Marketing & Peças e Serviços Caminhões e ônibus da Mercedes-Benz do Brasil

As linhas de pesados e extrapesados rodoviários Axor e Actros, inclusive, deverão ser um dos focos da empresa em 2017. “O Actros é um trabalho de muita “cotovelada” que eu tenho que dar em alguns amigos de mercado, um de Curitiba [Volvo], um daqui de perto [Scania]. Eles não me dão espaço, mas nós vemos cavando esse espaço”, brincou Leoncini sobre as dificuldades de ganhar terreno no mercado mais “nobre” do transporte de cargas, liderado tradicionalmente por veículos Volvo e Scania. “Temos que brigar muito com a Volvo. Ainda consigo algo no off-road, mas no rodoviário é difícil. Esse é o foco esse ano, ganhar participação no rodoviário”, conclui.

Outro fator relevante para alta o aumento na participação é justamente a busca por participar, não ficar de fora de nenhum negócio. “Num mercado pequeno como esse, todo negócio foi extremamente disputado. Todo mundo participou de todos os negócios”, revelou o executivo, que complementou: “Eu não tenho nenhum problema em perder um negócio, mas nós vamos participar de todos os negócios possíveis no Brasil”.

O que esperar de 2017?

2016 foi difícil, e apesar de uma melhora nos negócios, 2017 não deve ser fácil, com um aumento tímido nas vendas totais de caminhões. “Estamos falando de 6 a 10% de aumento, dentro de um mercado de 47 mil, o que não é nada para 9 montadoras brigarem”, diz Roberto Leoncini.

Uma notícia que não agrada aos clientes e a alta probabilidade de novo aumento nos preços. Em outubro a Mercedes-Benz aumentou em 10% os preços de caminhões, valor que nem chegou direito ao mercado e já deve ser revisto. “A maioria dos caminhões faturados em outubro, novembro e dezembro foram vendidos com preço antigo. Mas sexta-feira já vi que a Usiminas aumentou o [custo do] aço para a indústria automobilística em 25%. Vai vir pressão de custo. Qualquer ação de fornecedor nesse tamanho não dá para segurar”, explica.

Diferentemente de 2015, a Mercedes-Benz já confirmou presença na Fenatran 2017, o maior salão do setor de caminhões. “Nós estaremos Fenatran, na mesma área que estivemos no Salão do Automóvel, com o mesmo estande e o mesmo lugar. A única coisa que estou discutindo é que acho que devemos ir low-profile (sem tanto barulho). 2016 não será melhor do que 2017, e temos que ir na realidade do mercado, em respeito aos clientes e ao setor”, finaliza.