
Atenção, caminhoneiros e caminhoneiras!
Existem dois sentidos que trabalham o tempo inteiro durante uma viagem e que, muitas vezes, só recebem atenção quando já estão dando problema: a visão e a audição.
Enxergar bem a placa, o farol do carro na contramão, a faixa da pista molhada de noite. Ouvir a buzina que avisa um risco, o ruído estranho no motor, a sirene se aproximando.
Nada disso é automático. E nada disso dura para sempre sem cuidado.
Por que a profissão exige mais dos olhos e dos ouvidos
Dirigir por muitas horas, em diferentes condições de luz e clima, coloca a visão em teste constante.
À noite, a percepção de profundidade e a sensibilidade ao contraste diminuem naturalmente com a idade e para quem passa a maior parte do trabalho ao volante, essa perda faz muito mais diferença do que para quem dirige só no trajeto de casa ao trabalho.
A audição, por sua vez, sofre com a exposição constante ao ruído do motor, do vento e do trânsito. Anos de estrada, sem proteção adequada, cobram a conta de forma silenciosa, literalmente.
Os sinais que costumam ser ignorados
Boa parte dos problemas de visão e audição evolui devagar, e é justamente por isso que passam despercebidos.
Dificuldade para ler placas à distância, mais sensibilidade ao brilho de faróis de noite, necessidade de aumentar cada vez mais o volume do rádio, pedir para repetir frases em conversas com ruído de fundo.
Esses sinais costumam ser tratados como “coisa da idade” ou “cansaço do dia”, quando na verdade indicam que é hora de um exame.
O exame de vista não é só para tirar ou renovar a CNH
Muitos motoristas só passam por um exame oftalmológico completo quando precisam renovar a Carteira Nacional de Habilitação.
O problema é que a validade da CNH pode ser de vários anos e a visão pode mudar bem antes disso, principalmente após os 40 anos de idade, quando problemas como presbiopia (dificuldade de foco de perto) e catarata começam a aparecer com mais frequência.
A recomendação é simples: exame oftalmológico pelo menos uma vez por ano, independente da validade da CNH, especialmente para quem já usa ou suspeita que precisa de correção visual.
Audição: o problema que se instala sem aviso
Diferente da visão, a perda auditiva ligada ao ruído costuma ser indolor e progressiva, o que a torna ainda mais perigosa, porque a pessoa se acostuma com a limitação sem perceber.
Exames de audiometria, feitos periodicamente, conseguem identificar perdas auditivas em estágio inicial, quando ainda é possível agir: uso de proteção auricular em trechos de ruído intenso, ajustes na cabine, ou até intervenção médica quando necessário.
Ignorar o problema não faz ele desaparecer, só atrasa o momento em que vai afetar a segurança na estrada, como não ouvir uma buzina de alerta ou o som de um pneu estourando.
Pequenos cuidados que fazem diferença no dia a dia
Alguns hábitos simples ajudam a preservar visão e audição sem custo ou esforço grande:
Usar óculos de sol com proteção UV em trechos de forte luminosidade, mesmo em dias nublados. Evitar dirigir de noite com o para-brisa sujo ou riscado, já que isso aumenta o brilho e a dispersão da luz dos faróis. Manter o volume do rádio em nível moderado, sem precisar competir com o ruído do motor. E, quando possível, usar protetor auricular em operações de carga e descarga em locais muito ruidosos.
Cuidar dos sentidos é cuidar da direção
Visão e audição não são detalhes da saúde do motorista, são ferramentas de trabalho, tão importantes quanto o estado dos pneus ou dos freios.
Um exame de rotina, feito uma vez por ano, custa muito menos do que as consequências de dirigir sem enxergar ou ouvir bem o que a estrada está avisando.
Cuidar dos olhos e dos ouvidos é, no fim das contas, cuidar de quem depende de você chegar bem ao destino.
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Boa viagem!







