Diesel S-10 passou de R$ 7,46: o piso do frete vai subir?

Olá, irmãos e irmãs da estrada!

Quem abasteceu nas últimas semanas sentiu no bolso: o diesel subiu de novo em outubro, e o S-10 já passa de R$ 7,46 por litro na média do país.

Com o combustível mais caro, a pergunta que mais aparece é uma só: o piso mínimo do frete vai subir junto?

A resposta curta é: ainda não, mas pode subir em breve. Neste artigo, explicamos como funciona o gatilho que reajusta a tabela da ANTT, em que ponto estamos agora e o que você pode fazer enquanto isso.

Quanto o diesel subiu em outubro

Os dados são do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que acompanha os preços nos postos de todo o país. Na primeira quinzena de outubro, o diesel comum subiu 6,67% e passou a custar, em média, R$ 7,20 por litro. O S-10 subiu 5,07% e chegou a R$ 7,46.

Por região. O Sul teve as maiores altas: o diesel comum subiu 11,70% e o S-10 subiu 7,50%, chegando a R$ 7,17. No Centro-Oeste, o S-10 alcançou R$ 7,62, a maior média regional. O Norte continua com os preços mais altos do país, com o S-10 a R$ 7,80.

Por estado. O S-10 mais caro está no Acre, a R$ 8,30, e o mais barato no Rio Grande do Sul, a R$ 6,95. Goiás teve a maior alta do S-10, de 8,71%. No diesel comum, o Paraná teve a maior alta do período, de 12,66%.

Por que subiu. O Brasil ainda depende bastante de diesel importado, porque as refinarias do país não dão conta de todo o consumo. Em agosto, as importações responderam por 23,14% das vendas de diesel A. Por isso, o preço daqui fica exposto às oscilações lá de fora. Para segurar o repasse, o governo aumentou a subvenção paga aos importadores de diesel, mas a medida não foi suficiente para evitar a alta da quinzena. Some a isso a demanda do campo: outubro é mês de plantio da safra de verão e de transporte de milho, um dos períodos de maior consumo do ano.

Como funciona o gatilho do piso mínimo

O piso mínimo do frete é atualizado pela ANTT de duas formas.

Revisão semestral. A cada seis meses, a tabela é revista de forma ordinária, mesmo sem grandes mudanças no diesel.

Revisão extraordinária, o chamado gatilho. Sempre que o preço do diesel S-10 variar 5% ou mais, para cima ou para baixo, a ANTT é obrigada a atualizar a tabela. A nova Lei do Frete (Lei 15.485/2026) deixou essa regra mais firme: quando o gatilho é atingido, a ANTT tem até três dias úteis para publicar o reajuste.

Um detalhe faz toda a diferença: a conta dos 5% não é feita sobre o mês anterior, e sim sobre o preço usado no último reajuste da tabela. E o preço que vale é a média nacional do S-10 nas bombas medida pela ANP, a Agência Nacional do Petróleo, e não a de outros levantamentos.

Em que ponto estamos agora

A tabela acabou de ser reajustada. Pela Portaria SUROC nº 22, em vigor desde 30 de setembro, o preço de referência do diesel S-10 passou a ser de R$ 7,33 por litro, que foi a média nacional da ANP entre 20 e 26 de setembro. Antes, a tabela usava R$ 6,97.

Agora é fazer a conta. Para o gatilho disparar de novo, a média do S-10 na ANP precisa subir 5% em relação aos R$ 7,33:

R$ 7,33 + 5% = cerca de R$ 7,70 por litro.

Os R$ 7,46 do levantamento da Ticket Log ficam cerca de 2% acima da referência. Ou seja, o gatilho ainda não foi atingido. E vale reforçar: a alta de 5,07% que apareceu no noticiário compara com a quinzena anterior, não com o preço da tabela, e vem de outro levantamento, não da ANP.

Então o piso vai subir? Se o diesel continuar subindo no ritmo das últimas semanas, o gatilho pode ser atingido nas próximas semanas, e aí a ANTT terá três dias úteis para publicar a nova tabela. Se o preço se estabilizar, a próxima mudança deve vir só na revisão semestral, prevista para o início de 2027. O melhor termômetro é o levantamento semanal da ANP: quando a média do S-10 encostar nos R$ 7,70, fique de olho no Diário Oficial.

O que fazer enquanto o piso não muda

Confira se o frete está acima do piso atual. Muita proposta ainda circula calculada com a tabela antiga, de antes de 30 de setembro. A conta é a distância multiplicada pelo custo por quilômetro, mais o custo de carga e descarga, e os valores variam conforme o tipo de carga e o número de eixos. Para ter uma ideia, numa carreta de cinco eixos com carga geral, a tabela atual prevê cerca de R$ 6,83 por quilômetro mais R$ 657,56 de carga e descarga. Numa viagem de 500 km, isso dá um piso de aproximadamente R$ 4.072. Na dúvida, use a calculadora oficial do piso no site da ANTT antes de aceitar a carga.

Lembre que o piso é o mínimo, não o preço justo. A tabela leva em conta o diesel, mas não acompanha todos os seus custos no dia a dia, como a variação de preço entre um posto e outro. Os impostos também ficam fora do piso, e o pedágio é pago à parte, pelo Vale-Pedágio obrigatório. Negocie para cima sempre que der.

Saiba que o frete abaixo do piso está mais difícil de passar. Com a nova lei, o sistema bloqueia a emissão do CIOT quando o valor fica abaixo do piso. Se alguém oferecer um frete “por fora” para escapar da tabela, desconfie.

Corte o consumo onde dá. Pneus calibrados, velocidade constante, menos tempo de motor em marcha lenta e manutenção em dia fazem diferença no fim do mês. E vale planejar onde abastecer: o mesmo litro de S-10 chega a ter mais de R$ 1 de diferença entre os estados.

O que fica de recado

O diesel subiu, mas o piso não sobe automaticamente a cada alta. Ele só muda quando o S-10 varia 5% em relação à última referência da tabela, que hoje é de R$ 7,33. A conta que importa é a da ANP, e a marca a observar fica em torno de R$ 7,70.

Enquanto isso, o piso atual já está valendo desde 30 de setembro e é ele que você deve cobrar.

Não aceite frete calculado com tabela velha, confira o valor antes de carregar e lembre: o piso é o chão, não o teto. Nós vamos acompanhar os números e avisar aqui assim que sair a próxima atualização.

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Boa viagem e frete sempre acima do piso.

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