
Olá, caminhoneiros e caminhoneiras do Brasil!
Quem vive na estrada sabe: a espera no pátio para carregar ou descarregar é, muitas vezes, mais cansativa do que a própria viagem. E agora um estudo colocou números nessa realidade que a categoria enfrenta todos os dias.
Um levantamento da Fetrabens (Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo) revelou que a espera média nos casos analisados chegou a 3 dias, 16 horas e 32 minutos, bem acima do limite de cinco horas previsto em lei.
Isso mesmo: mais de três dias parado, esperando para fazer o que deveria levar poucas horas.
De onde vêm esses números?
Os dados fazem parte do Relatório Técnico sobre a Aplicabilidade da Calculadora de Estadia da Fetrabens, ferramenta gratuita que os próprios caminhoneiros usam para registrar e calcular o tempo de espera nas operações de carga e descarga.
O estudo analisou:
- mais de 400 registros feitos por transportadores;
- entre abril de 2021 e o início de março de 2026;
- com casos espalhados por 18 estados e o Distrito Federal.
O tempo médio de espera identificado foi de 88 horas e 32 minutos, cerca de 17,7 vezes o limite de cinco horas estabelecido pela legislação. Na prática, isso quer dizer que, em média, o caminhão ficou 83 horas e 32 minutos além do que a lei permite só esperando.
A própria Fetrabens faz uma observação importante: como os registros são espontâneos, os números mostram a gravidade dos casos relatados, mas não representam uma média de tudo o que acontece no transporte rodoviário do Brasil.
Quanto isso vale em dinheiro?
Hoje, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) determina que o tempo adicional de carga e descarga deve ser pago a R$ 2,50 por tonelada/hora ou fração, considerando a capacidade total do veículo. Essa cobrança passa a valer depois de cinco horas de espera.
Com base nesse cálculo, o relatório aponta:
- valor médio de R$ 6.424,78 por registro;
- mais de R$ 2,5 milhões em estadias calculadas somando toda a base analisada.
E o pior: esse valor cobre só o tempo parado. Não entra na conta a perda de novos fretes, a desorganização da rotina de trabalho, o gasto extra durante a espera, o desgaste do caminhão e os atrasos que se espalham por toda a cadeia de abastecimento.
O problema não é só de quem usa a Calculadora
Os dados da Fetrabens batem com o que outras pesquisas do setor já vinham mostrando:
- Na 3ª Pesquisa Nacional sobre a Realidade do Transportador Autônomo de Cargas, da CNTA, que ouviu 2.002 transportadores autônomos, 46,1% relataram esperas superiores a cinco horas, e mais de 90% disseram nunca receber pelo tempo parado.
- Já a Pesquisa Nacional CNTTT 2026, com 1.015 motoristas profissionais empregados de todo o país, mostrou que mais de oito em cada dez operações de carga e descarga envolvem espera acima das cinco horas.
Ou seja: seja autônomo ou empregado, a fila de espera é um problema espalhado por todo o Brasil.
E o que isso faz com a saúde do motorista?
Além do prejuízo financeiro, a espera pesa no corpo e na cabeça de quem está na estrada. A Pesquisa CNTTT mostrou que:
- 73% dos motoristas deram notas entre zero e cinco para as estruturas de carga e descarga (nota média: apenas 3,7);
- 1 em cada 3 entrevistados disse enxergar esses locais como ambientes de ameaça psicológica.
Para o presidente da Fetrabens, Everaldo Bastos, o problema vai além do simples atraso:
“O tempo de espera não remunerado não é apenas um atraso; é um custo direto e indireto que corrói a margem de lucro.”
Everaldo de Azevedo Bastos comanda a Federação no mandato de 2025 a 2030.
Como funciona a Calculadora de Estadia?
A boa notícia é que existe uma forma simples de documentar e cobrar essas horas paradas. A Calculadora de Estadia está disponível de graça no site da Fetrabens e funciona assim:
- o motorista informa data e horário de chegada;
- informa data e horário de saída;
- informa a capacidade total do veículo;
- a ferramenta calcula o valor devido e emite uma certidão que organiza os dados da operação, documento que ajuda na comprovação e na cobrança junto ao contratante.
E o uso está crescendo: foram 18 casos registrados em 2021 contra 167 em 2025. Sinal de que mais caminhoneiros estão de olho nos próprios direitos.
Fetrabens quer a Calculadora reconhecida nacionalmente
Com base nesses resultados, a Fetrabens defende que a ferramenta vire referência oficial, integrada a sistemas como o RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas) e o DT-e (Documento Eletrônico de Transporte).
Segundo a Federação, isso ajudaria a:
- padronizar o cálculo da estadia em todo o país;
- reduzir a assimetria de informação entre transportador e contratante;
- facilitar a comprovação dos horários de chegada e saída;
- gerar indicadores nacionais sobre o desempenho dos pontos de carga e descarga.
Com esses dados organizados, o poder público poderia identificar quais locais atrasam com mais frequência, acompanhar os tempos médios de espera por região e direcionar melhor a fiscalização, pressionando embarcadores e destinatários a melhorar seus processos.
Para a Fetrabens, isso não seria só uma ferramenta de cobrança. Seria um jeito de transformar o tempo de espera em um indicador de eficiência para todo o setor.
Para saber mais
O estudo foi financiado pela Fetrabens, com planejamento e consolidação dos dados feitos pela Trucker Inovação e Empreendedorismo Social. A íntegra do relatório está disponível em fetrabens.com.br/estudos, e a Calculadora de Estadia pode ser acessada gratuitamente em fetrabens.com.br/calculadora-estadia.
Caminhoneiros e caminhoneiras, fica o alerta: documentem sempre os horários de chegada e saída. É essa comprovação que garante o direito de receber pelo tempo parado.
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