
Olá, irmãos e irmãs da estrada!
Dor nas costas no fim do dia, pescoço duro, ombro travado, perna formigando depois de horas ao volante. Muita gente acha que isso é o preço normal da profissão. Mas boa parte desse desconforto vem de um detalhe simples: o banco, o volante e os espelhos mal ajustados.
Uns minutos de ajuste antes de sair podem fazer uma diferença enorme no fim da viagem. Preparamos um passo a passo para você deixar a cabine do seu jeito, com conforto e segurança.
Por que o ajuste faz tanta diferença
Conforto. Com o banco certo, o peso do corpo se distribui melhor e a coluna fica apoiada. Isso reduz a dor nas costas, no pescoço e nas pernas no fim do dia.
Cansaço. Uma postura ruim obriga os músculos a trabalharem o tempo todo para compensar. Isso cansa mais rápido e tira a atenção da estrada.
Segurança. Na posição certa, você alcança os pedais e o volante com firmeza, reage mais rápido numa emergência e enxerga melhor pelos espelhos.
A ordem certa é: banco, volante e espelhos. O banco vem primeiro porque define a posição do corpo. O volante se ajusta ao corpo. E os espelhos se ajustam aos seus olhos, já na posição final. Se mudar o banco depois, refaça os espelhos.
Faça o ajuste com o caminhão parado e freado. Nunca regule banco ou espelho com o caminhão em movimento.
Passo 1: o banco
Cada caminhão tem os seus comandos, mas a lógica é a mesma. Ajuste nesta ordem:
Suspensão do banco. Se o seu banco é pneumático, regule a suspensão de acordo com o seu peso, como indica o manual. Ele deve amortecer as pancadas da pista sem bater no fim do curso nem ficar duro demais.
Distância dos pedais. Sente-se bem encostado e pise a embreagem ou o freio até o fim. O joelho deve continuar levemente dobrado. Se a perna ficar totalmente esticada, você está longe demais. Se o joelho ficar muito dobrado, perto demais.
Altura. Ajuste para enxergar bem a pista e os instrumentos do painel, com espaço entre a cabeça e o teto. As coxas devem ficar apoiadas no assento, sem pressão forte atrás dos joelhos.
Inclinação do assento. Se o banco permitir, incline o assento para que as coxas fiquem bem apoiadas até perto dos joelhos, sem apertar a parte de trás das pernas.
Encosto. Deixe o encosto levemente inclinado para trás, quase reto. Encosto deitado demais força o pescoço para a frente e cansa os ombros.
Apoio lombar. Ajuste o apoio da região lombar para preencher a curva natural da parte de baixo das costas. Se o banco não tiver esse ajuste, uma almofada lombar ajuda.
Apoio de cabeça. O topo do apoio deve ficar mais ou menos na altura do topo da cabeça, próximo da nuca. Ele protege o pescoço numa batida.
Passo 2: o volante
Distância. Com as costas bem apoiadas no encosto, estique os braços por cima do volante. O pulso deve encostar na parte de cima do aro. Assim, ao segurar o volante, os cotovelos ficam levemente dobrados, sem você precisar tirar os ombros do encosto.
Altura. Ajuste o volante para que ele não esconda o painel e não fique encostado nas pernas. Você deve enxergar bem os instrumentos e ter espaço para movimentar as pernas.
Posição das mãos. Segure o volante com as mãos na posição de “nove e quinze” ou “dez para as duas”, como os ponteiros de um relógio. Evite dirigir com uma mão só no alto do volante ou com o braço apoiado na janela por muito tempo.
Pegada firme, mas relaxada. Segurar o volante com força demais cansa os braços e os ombros. Mantenha os ombros soltos e solte a tensão de vez em quando nas retas.
Passo 3: os espelhos
Com o banco e o volante na posição final, é hora dos espelhos. Faça o ajuste sentado na posição normal de dirigir, sem esticar o pescoço.
Espelho principal. Regule para ver uma pequena parte da lateral da carreta na beirada interna do espelho, e o resto ocupado pela pista ao lado. Assim você tem referência da sua posição e enxerga quem vem atrás.
Espelho grande-angular. O espelho convexo, que mostra uma área maior, deve cobrir a faixa ao lado e ajudar a enxergar veículos que estão quase emparelhados. Lembre que ele faz os objetos parecerem mais longe do que estão.
Espelho de rampa e de para-brisa. Os espelhos que mostram a área logo abaixo da porta e na frente do caminhão devem cobrir os pontos onde um carro, uma moto ou um pedestre pode sumir de vista.
Ponto cego continua existindo. Mesmo com tudo bem regulado, há áreas que os espelhos não mostram. Antes de mudar de faixa ou manobrar, confira de novo e dê seta com antecedência. Explicamos melhor esse assunto no nosso artigo sobre o ponto cego.
Espelho limpo. Limpe os espelhos com frequência, principalmente na época de chuva e poeira.
O cinto e os erros mais comuns
Cinto bem colocado. A faixa de cima deve passar pelo meio do ombro e do peito, nunca no pescoço nem caída no braço. A faixa de baixo fica sobre o quadril, e não sobre a barriga. Se o caminhão tiver ajuste de altura do cinto, use.
Alguns erros aparecem muito na boleia. Veja se você comete algum:
Dirigir com a carteira no bolso de trás. Sentar em cima da carteira deixa o quadril torto e pode causar dor nas costas e nas pernas.
Encosto deitado demais. Parece confortável, mas força o pescoço e os ombros e afasta você do volante.
Banco longe demais. Com a perna toda esticada, você perde força no pedal e cansa a coluna.
Não reajustar quando troca de motorista. Se o caminhão é dividido com outro motorista, refaça todos os ajustes, inclusive os espelhos, antes de sair.
Ficar horas sem se mexer. Mesmo com tudo bem ajustado, o corpo precisa de pausa. Aproveite as paradas para levantar, caminhar e alongar.
O que fica de recado
Antes de sair, gaste uns minutos com os ajustes, sempre nesta ordem: banco, volante e espelhos. Costas apoiadas, joelho levemente dobrado no pedal, cotovelos soltos no volante e espelhos regulados na posição de dirigir.
São detalhes que custam pouco e fazem você chegar ao fim da viagem bem menos moído. E, se a dor continuar mesmo com tudo bem ajustado, procure um médico ou fisioterapeuta.
Aproveite também para rever o nosso artigo de alongamento para as paradas. Uma coisa completa a outra.
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Boa viagem e coluna em dia.







