Motorista da Scuderia Iveco tem jeitão de piloto

Por Mauro Cassane, Editor do Portal

Cinco horas da manhã de terça-feira, dia 23, o QG da Fórmula Truck em Santos, litoral de São Paulo, já está movimentado. Os motoristas tomam café. Pessoal da limpeza ajeita as coisas. Os caminhões pranchas estão carregados com os bólidos que vão acelerar na final do Campeonato Sul Americano que acontecerá dia 4 de setembro em Buenos Aires, Argentina. O circo todo está ali dentro, espremido. São caminhões de diversas marcas, coloridos, reluzentes. Às 6h30 os motores são ligados. Portões abertos. Um a um, caminhões pranchas carregados saem pelos dois portões. O Stralis vermelho Ferrari leva dois bólidos da Scuderia Iveco, os caminhões de Beto Monteiro e Paulo Salustiano. Ao volante, Roberval Alexandre da Silva. Se procurar por este nome pelos boxes da Fórmula Truck é certo que ninguém vai saber quem é. Mas procure por Neno, como é conhecido. Aí sim. Vão te apontar o boxe da Scuderia Iveco. Neno, além de motorista, desenvolve outra tarefa vital na equipe: é o mecânico. E é bom frisar este termo: é mesmo “O mecânico”.

Contudo, na estrada, ele é o motorista. Ok, frisemos de novo. É “O motorista”. Vale o destaque. Neno é também bom de boléia. A carreta puxada pelo Stralis desliza pela Pedro Taques, em Santos, como um carro. Entra pela BR 116 faceira. Carrega 30 toneladas entre os dois caminhões e as tralhas todas da corrida. Eixos, motor sobressalente, caixa de câmbio vão sobre a prancha na parte coberta. Com um carro bem mais leve sofremos para acompanhar Neno. “Você parece querer pegar o lugar do Beto ou do Salustiano”, brinco, na parada do almoço, depois da Serra do Turvo, único momento em que conseguimos de fato alcançá-lo. Embora ele já estivesse na sobremesa quando chegamos famintos para começarmos a comer. “Estamos indo mais devagar para esperar vocês”, ele responde. Tem intimidade com o caminhão.

Atrás da carreta de Neno, sem perdê-lo de vista como perdemos diversas vezes, vai Vignaldo Fizio, tocando o Pace Truck, um Stralis 360, também na cor vermelha. “Quando é só o cavalinho assim a gente precisa pegar leve, porque se não prestar atenção no pé o bicho chega fácil a mais de 120 km/h”, diz. No primeiro dia de tocada (ontem, dia 23) foram cerca de 700 quilômetros percorridos pelo comboio. Mas eles não andam todos juntos. “A gente junta a turma toda em São Borja” (divisa com a Argentina). Depois de passar a aduana, vão todos juntos. Nós, do portal, e a reportagem do Programa Brasil Caminhoneiro, estamos no encalço e vamos mostrar tudo.

Amanhã tem mais novidade. Vamos atrás destes ases da boléia. Não é simples. Eles respeitam o limite de velocidade. Não fazem loucura. Mas, ainda assim, não é fácil acompanhar esta turma do trecho que tem, na veia, não só diesel, mas toda carga competitiva de uma Fórmula Truck. Em breve, mais sobre este deslocamento de todo o circo para a final do Sul Americano em terras portenhas.

Foto: Mauro Cassane