Recordista de poles, Cirino quebra tabu e vence em Caruaru 15 anos após estreia

Há exatos 15 anos o público de Caruaru acompanhava a estreia de um dos grandes nomes da Fórmula Truck. Foi na cidade pernambucana, no Autódromo Internacional Ayrton Senna, que o tetracampeão Wellington Cirino fez a primeira aparição na categoria. No entanto, nesta história de vitórias e recordes, o piloto paranaense convivia com um tabu: nunca ter vencido uma prova no local onde surgiu para a competição.

Neste domingo a marca caiu. Pole-position, o piloto da ABF/Mercedes-Benz dominou o GP Bridgestone-Bandag de ponta a ponta. Foi a 26ª vez que Cirino largou na frente, e a 22ª vitória dele na F-Truck. Andre Marques, da Volks, Beto Monteiro, da Iveco, Geraldo Piquet e Leandro Totti, ambos da Mercedes-Benz, completaram o pódio.

Com o terceiro lugar, Beto Monteiro mantém a liderança do Campeonato Brasileiro com 79 pontos, seguido por Andre Marques, com 58, e Wellington Cirino, que agora aparece em terceiro, com 38.

Tetracampeão brasileiro da Fórmula Truck, Cirino não subia ao pódio desde a quinta corrida da temporada passada, disputada em São Paulo, onde foi segundo colocado. “É complicado na carreira de um piloto ficar tanto tempo longe do pódio, foi um período de muitos problemas, e faltava essa vitória em Caruaru no meu currículo”, falou o piloto da ABF/Mercedes-Benz, que assumiu o terceiro lugar na classificação dos dois campeonatos.

Cirino conquista a 22ª vitória na carreira

O momento festivo pelos 15 anos de carreira na Truck foi citado pelo vencedor da corrida. “Foi aqui que fiz minha estreia em 1997, e voltar aqui com a mesma disposição é gratificante. Gosto da pista, o povo de Pernambuco faz uma festa incomparável, sempre prestigia bastante a Truck. E vi que estou com a mesma disposição de vencer de quando estava tentando o primeiro título. O campeonato, para nós, começou hoje”, ponderou Cirino.

Marques, depois dos terceiros lugares nas corridas do Velopark e do Rio de Janeiro, teve no segundo lugar em Caruaru o melhor resultado de sua carreira na Truck. “Tem sido um ano de realização de sonhos para mim, cada corrida é um sonho. Eu queria, claro, era ultrapassar o Beto nos pontos, só que se fizesse isso na terra dele o público poderia não gostar”, brincou o paulista da RM Competições. “Na próxima eu tento de novo”, prometeu.

Monteiro, terceiro colocado, avaliou que o objetivo da Scuderia Iveco foi cumprido. Piloto de Pernambuco, ele chegou a Caruaru como líder invicto da temporada. “A gente já sabia que seria muito difícil vencer aqui, não é uma pista favorável ao nosso caminhão. A nossa ideia era estar no pódio e manter a liderança do campeonato, e conseguimos. O Cirino e a equipe dele fizeram um trabalho brilhante, mereceram vencer”, atribuiu.

Andre Marques, Beto Monteiro, Geraldo Piquet e Leandro Totti completaram o pódio ao lado do vencedor Cirino

A corrida
Na largada, o pole Wellington Cirino manteve-se à frente. Leandro Reis tomava o segundo lugar de Felipe Giaffone. Beto Monteiro, nono no grid, saltou para sexto. Reis, ainda na primeira volta, saiu da pista no trecho misto que antecede a reta principal. O goiano acabou tendo de estacionar nos boxes da Original Reis. Ao fim da primeira volta, RM tinha Giaffone, André Marques e Renato Martins logo atrás do líder Cirino.

As características da pista pernambucano de 3.180 metros, que é uma das mais travadas do país e impõe dificuldade às manobras de ultrapassagem, fizeram com que os pilotos mantivessem as posições inalteradas nas primeiras voltas. Na abertura da quarta volta, Adalberto Jardim superou Paulo Salustiano e assumiu a nona posição. Na quinta volta, Leandro Totti superou Roberval Andrade na disputa pela sétima colocação.

Régis Boessio, que havia saído da pista logo após a largada, e Valmir Benavides, com problemas nos caminhões, procuraram o caminho dos boxes nas primeiras voltas – Boessio voltou à pista depois de três voltas. Na sétima, o caminhão de Giaffone passou a perder rendimento e o piloto paulista passou a facilitar as ultrapassagens dos concorrentes. Na oitava volta, foi Diumar Bueno quem abandonou, com problema na turbina.

A partir da oitava volta, enquanto Cirino administrava a vantagem de três segundos e meio sobre o vice-líder Marques, o público pernambucano que lotou o autódromo vibrava com o piloto local Beto Monteiro, que atacava o terceiro lugar de Martins. Na intervenção programada do Pace Truck, depois de 11 voltas, os cinco primeiros, que receberam pontos de bonificação, eram pela ordem Cirino, Marques, Martins, Monteiro e Geraldo Piquet.

Nuvens negras surgiam na região do autódromo quando a direção de prova determinou a relargada e algumas equipes começavam a considerar a possibilidade da corrida terminar sob uma até então improvável chuva. Dada a bandeira verde, Cirino manteve-se à frente e em duas voltas abriu vantagem de mais de dois segundos. Marques, Martins, Monteiro, Piquet e Totti mantinham-se muito próximos uns dos outros, do segundo ao sexto lugar.

Na abertura da 15ª volta, Débora Rodrigues arrancou aplausos com a ultrapassagem sobre Fred Marinelli, pelo lado externo da pista ao fim da reta dos boxes, que lhe valeu a décima colocação. Momentos depois, a torcida foi praticamente ao delírio com a manobra de Monteiro, que emparelhou seu Iveco com o Volkswagen de Martins na reta oposta e, apesar de ter havido um toque entre os dois, assumiu o terceiro lugar na corrida.

O toque danificou a carenagem do caminhão de Martins, que também teve um pneu furado e teve de procurar os boxes. Para o pernambucano, líder do campeonato, a consequência imediata do incidente foi o comprometimento da condição a dirigibilidade do caminhão. Na 17ª volta, Totti intensificou sua pressão a Piquet, num duelo entre pilotos da Mercedes-Benz que, com Martins fora da disputa, passava a valer o quarto lugar na corrida.

Nos 15 minutos finais da corrida, com todos os pilotos administrando o desgaste acentuado a que os caminhões foram submetidos pelo calor – e com a possibilidade de chuva já totalmente descartada –, Cirino já abria vantagem de mais de cinco segundos sobre Marques, que abria mais de três segundos sobre Monteiro. A três voltas do fim, José Maria Reis saiu da pista por conta de um pneu furado, problema que o levou as boxes.

A temporada 2012 da Fórmula Truck terá sequência no dia 3 de junho, no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, uma corrida que valerá pontos apenas pelo Campeonato Brasileiro. Em Caruaru, depois de 29 voltas, a classificação final do GP Bridgestone-Bandag foi a seguinte:

Veja a classificação completa do GP Bridgestone-Bandag:
1º) Wellington Cirino (PR) – Mercedes-Benz – 1h00m40s597
2º) André Marques (SP) – MAN-Volkswagen – a 4s604
3º) Beto Monteiro (PE) – Iveco – a 10s251
4º) Geraldo Piquet (DF) – Mercedes-Benz – a 11a011
5º) Leandro Totti (PR) – Mercedes-Benz – a 14s492
6º) Roberval Andrade (SP) – Scania – a 24s684
7º) Débora Rodrigues (SP) – MAN-Volkswagen – a 40s706
8º) Adalberto Jardim (SP) – MAN-Volkswagen – a 41s154
9º) João Marcos Maistro (PR) – Volvo – a 48s054
10º) Paulo Salustiano (SP) – Volvo – a 49s775
11º) Danilo Dirani (SP) – Ford – a 50s050
12º) Fred Marinelli (SP) – Iveco – a 1m13s986
13º) Luiz Pucci (ARG) – Volvo – a 1m14s798
14º) Pedro Gomes (SP) – Ford – a 1m26s684
15º) Luiz Lopes (SP) – Mercedes-Benz – a 1m56s410
16º) Renato Martins (SP) – MAN-Volkswagen – a 1 volta
Não completaram a prova:
17º) José Maria Reis (GO) – Scania
18º) Régis Boessio (RS) – Mercedes-Benz
19º) Felipe Giaffone (SP) – MAN-Volkswagen
20º) Diumar Bueno (PR) – Volvo
21º) Valmir Benavides (SP) – Iveco
22º) Leandro Reis (GO) – Scania

Foto: Orlei Silva