Totti vence em Goiás quarta etapa da Fórmula Truck e quebra jejum de cinco anos

Leandro Totti pôs fim neste domingo, em Goiânia, a uma espera de mais de cinco anos por uma vitória na Fórmula Truck. O piloto paranaense da ABF Racing Team conduziu o Mercedes-Benz número 73 ao primeiro lugar na quarta etapa do Campeonato Brasileiro, assumindo a quarta posição na tabela de classificação. A marca fez dobradinha no Autódromo Internacional Ayrton Senna, com Wellington Cirino, da ABF/Mercedes-Benz, em segundo.

Disputada sob calor de mais de 30 graus, a etapa goiana, que colocou em disputa o GP Petrobras, teve dois pilotos da Volvo no pódio. O paranaense João Marcos Maistro, da Clay Truck Racing, repetiu seu melhor resultado na categoria, ao terminar em terceiro lugar, enquanto o paulista Paulo Salustiano, da ABF/Volvo, foi quinto. A quarta posição foi conquistada pelo paulista Fred Marinelli, piloto do Iveco de sua própria equipe, a Marinelli Competições.

Foi a primeira corrida do ano em que líder e vice-líder do campeonato não estiveram no pódio. O pernambucano Beto Monteiro, primeiro na tabela, foi o décimo colocado, prejudicado pelo estouro de um pneu traseiro esquerdo no caminhão número 88 da Scuderia Iveco. O paulista André Marques abandonou com problemas mecânicos no MAN-Volkswagen da RM Competições – o calor, como previsto, submeteu os caminhões a um desgaste excessivo.

Totti, que assumiu a liderança depois de pressionar por várias voltas o pole-position goiano Leandro Reis, atribuiu sua vitória à estratégia. “A paciência foi a chave para a vitória de hoje. Venho trabalhando forte por essa vitória, hoje eu tive um caminhão competitivo como há muito tempo eu não tinha, a equipe toda está de parabéns”, atribuiu. “Foi difícil, o meu xará estava muito rápido. Já fazia muito tempo que eu não vinha para o pódio em primeiro”, falou.

A última vitória de Totti havia acontecido no dia 8 de abril de 2007, no circuito gaúcho de Tarumã. À época, ele pilotava o caminhão Ford da equipe Londrina Truck Racing, o mesmo com que havia vencido as etapas de Campo Grande, em 2004, de Interlagos, em 2005, e Caruaru, em 2006. O resultado da corrida em Goiânia fez o paranaense subir do nono para o quarto lugar, agora com 48 pontos. Monteiro tem 87, contra 60 de Cirino e 58 de Marques.

Cirino comemorou bastante o segundo lugar. “Eu estou de volta à briga pelo título do Campeonato Brasileiro. Trabalho sempre para estar entre os primeiros, dessa vez isso aconteceu”, festejou o tetracampeão brasileiro. O companheiro de equipe do piloto paranaense, Geraldo Piquet, proporcionou a imagem mais espetacular da corrida, com a capotagem na 17ª volta da prova. O piloto foi atendido no próprio autódromo e passa bem.

Piquet disputava posição com o goiano José Maria Reis. Na frenagem para o “S” de baixa velocidade, seu caminhão escalou a traseira do Scania de Reis e capotou. “Eu vinha rápido, ele freou um pouco antes. Eu não tive para onde ir. Se desviasse, iria atingir a cabine dele. Foi coisa de corrida”, falou o brasiliense da ABF/Mercedes. “Agora vamos ter que fazer um caminhão novo. Não sei se dará tempo para a etapa de São Paulo”.

A corrida

Na largada, enquanto Leandro Reis tratava de conter as investidas de Felipe Giaffone para manter a liderança, Danilo Dirani saía da sexta para a terceira posição. Roberval Andrade, oitavo no grid, era o quarto ao fim da reta dos boxes e acabou tocando o Ford de Dirani, que ficou atravessado na pista – ambos várias posições. Beto Monteiro, líder do campeonato, era o décimo no grid e valeu-se do incidente para fechar a primeira volta em quinto.

No complemento da primeira volta, Leandro Totti assumiu a segunda colocação e, pelo lado externo do traçado, atacou a liderança de Reis, que não permitiu a ultrapassagem. O goiano passou a adotar um traçado extremamente defensivo. Totti chegou a completar a segunda volta na liderança, embora Reis tenha reagido na segunda metade da reta dos boxes para novamente colocar o Scania da Original Reis Competições na primeira colocação.

O duelo entre xarás pela liderança continuou acirrado no complemento da terceira volta, quando Reis, empurrado pelo apoio da torcida goiana, acabou perdendo tração na curva que dá acesso à reta dos boxes. O goiano assumiu a linha interna da pista, deixando Totti sem espaço para tentar a ultrapassagem que parecia iminente. Giaffone, a essa altura, ja pressionava os dois líderes e via Totti sair rapidamente na pista, sem perder a vice-liderança.

O pelotão intermediário apresentava seus destaques. Andrade, que no incidente na largada havia caído para o décimo lugar, já figurava em oitavo na quinta volta, quando Geraldo Piquet tomou-se o ponto de bonificação dado ao autor da volta mais rápida da corrida. Piquet, quarto no grid, largou dos boxes, por último, por conta do problema que obrigou a ABF/Mercedes-Benz a trocar o motor de seu caminhão poucas horas antes da corrida. Era 16º.

Na sexta volta, as investidas de Totti surtiram efeito. Na reta oposta, o paranaense da ABF Racing Team retardou a frenagem e, pela linha interna, viu a condição que esperava para comandar a corrida – ao fim da sétima volta, já tinha 1s448 de vantagem. Andrade, a essa altura, vinha em sétimo, Piquet era o 15º colocado e Dirani enfrentava dificuldades para se recuperar do incidente na largada, ocupando a 16ª colocação.

Com pista livre pela frente, Totti abria vantagem na liderança, a ponto de completar a oitava volta 2s401 à frente de Reis. Ao fim da 11ª volta, o piloto paranaense tinha 3s326 à frente dos demais. Foi quando houve a intervenção do Pace Truck, a um terço da corrida, instante em que há atribuição de pontos de bonificação aos cinco primeiros colocados – que eram, pela ordem, Totti, Reis, Giaffone, Wellington Cirino e Monteiro.

Dada a relargada, Totti reagiu bem e valeu-se da presença de Dirani, retardatário, logo atrás de seu caminhão para manter sua vantagem acima dos três segundos. André Marques, vice-líder da temporada com o caminhão MAN-Volkswagen, retomou sua pressão a Monteiro, ao mesmo tempo em que via o sexto lugar ameaçado por Andrade. O caminhão de Reis, segundo, começava a apresentar fumaça atrás da cabine, sobre o motor.

Giaffone, em terceiro, intensificou sua pressão a Reis na 14ª volta, na tentativa de recuperar o contato com o líder Totti, que já abria mais de quatro segundos. A corrida já estava em sua segunda metade e o calor começava a comprometer o rendimento dos caminhões. Régis Boessio abandonou na 16ª volta, com o Mercedes-Benz da ABF Desenvolvimento Team parado no meio do circuito. No mesmo instante, Marques parava nos boxes.

Na 17ª volta, outro abandono, de Piquet. No ponto de frenagem para o S de baixa, o Mercedes-Benz do brasiliense escalou a traseira do Scania do goiano José Maria Reis e capotou. “Coisa de corrida”, contemporizou Piquet. A disputa por posições seguiu por mais alguns instantes antes da intervenção do Pace Truck, o suficiente para Giaffone assumir a segunda posição na corrida – atual campeão, Giaffone abandonaria a disputa poucos instantes depois.

Piquet foi imobilizado pela equipe de médicos coordenada pelo doutor Daniel de Moraes e levado ao ambulatório com suspeita de fratura no cotovelo direito. Ao reagrupamento dos pilotos pela presença do Pace Truck na pista a Mercedes-Benz tinha dobradinha. Totti seguia na liderança, enquanto Cirino era o segundo colocado – vencedor da etapa em 2011, ele havia ultrapassado Reis no mesmo instante em que o goiano foi superado por Giaffone.

Com o resgate do caminhão de Piquet e a limpeza do óleo derramado na pista concluídos, a corrida teve relargada a menos de dez minutos do fim da corrida. Cirino superava o retardatário Dirani e abria a 21ª volta 5s510 atrás do líder. Monteiro, com problemas num dos pneus traseiros esquerdos, caía do quinto para o décimo lugar. Reis também perdeu posições, sendo superado por João Marcos Maistro, com o Volvo da Clay Truck Racing, e por Andrade.

Completada a 21ª volta, Cirino havia diminuído a vantagem de Totti a 4s068. Faltavam pouco mais de cinco minutos para o fim da corrida. Reis já figurava fora da zona de pódio, em sexto – fora superado também pelo Iveco de Fred Marinelli. Nem o problema no motor do Scania de Andrade, que o fez abandonar na 22ª volta, devolveu Reis ao grupo dos cinco primeiros, já que ele acabou ultrapassado por Paulo Salustiano, da ABF/Volvo.

Totti administrou o ritmo e, nas voltas finais, manteve a margem sobre Cirino em torno dos cinco segundos, o suficiente para confirmar a conquista de sua quinta vitória na categoria. Cirino, Maistro, Marinelli e Salustiano fecharam as cinco primeiras posições. Reis, o ídolo da torcida local, terminou em sexto. Valmir Benavides e Beto Monteiro, ambos da Scuderia Iveco, fecharam a lista dos que completaram todas as 28 voltas da prova.

O resultado final do GP Petrobras, neste domingo em Goiânia, foi o seguinte:

1º) Leandro Totti (PR/Mercedes-Benz), ABF Racing Team, 1h01min47s824
2º) Wellington Cirino (PR/Mercedes-Benz), ABF/Mercedes-Benz, a 2s834
3º) João Marcos Maistro (PR/Volvo), Clay Truck Racing, a 10s893
4º) Fred Marinelli (SP/Iveco), Marinelli Competições, a 16s695
5º) Paulo Salustiano (SP/Volvo), ABF/Volvo, a 17s450
6º) Leandro Reis (GO/Scania), Original Reis Competições, a 21s849
7º) Valmir Benavides (SP/Iveco), Scuderia Iveco, a 26s512
8º) Beto Monteiro (PE/Iveco), Scuderia Iveco, a 44s557
9º) Diumar Bueno (PR/Volvo), DB Motorsport, a 1 volta
10º) Débora Rodrigues (SP/MAN-Volkswagen), RM Competições, a 2 voltas
11º) Renato Martins (SP/MAN-Volkswagen), RM Competições, a 3 voltas
12º) Roberval Andrade (SP/Scania), Ticket Car Corinthians Motorsport, a 4 voltas
13º) José Maria Reis (GO/Scania), Original Reis Competições, a 5 voltas
14º) Danilo Dirani (SP/Ford), Ford Racing Trucks-DF Motorsport, a 7 voltas
Não completaram
Luiz Pucci (ARG/Volvo), ABF/Volvo, a 8 voltas
Luiz Lopes (SP/Mercedes-Benz), ABF Racing Team, a 8 voltas
Felipe Giaffone (SP/MAN-Volkswagen), RM Competições, a 9 voltas
Geraldo Piquet (DF/Mercedes-Benz), ABF/Mercedes-Benz, a 12 voltas
Régis Boessio (RS/Mercedes-Benz), ABF Desenvolvimento Team), a 13 voltas
André Marques (SP/MAN-Volkswagen), RM Competições, a 14 voltas
Adalberto Jardim (SP/MAN-Volkswagen), AJ5 Competições, a 21 voltas
Pedro Gomes (SP/Ford), Ford Racing Trucks-DF Motorsport, a 24 voltas
Pedro Muffato (PR/Scania), Muffatão, a 26 voltas
Melhor volta: Piquet, na 5ª, 1min49s327, média de 126,28 km/h

Classificação

A classificação do Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck é esta: 1º) Monteiro, 87 pontos; 2º) Cirino, 60; 3º) Marques, 58; 4º) Totti, 48; 5º) Salustiano, 39; 6º) Giaffone, 38; 7º) Andrade, 37; 8º) L. Reis, 33; 9º) Maistro, 30; 10º) Marinelli, 25; 11º) Martins, 23; 12º) Jardim, 21; 13º) Rodrigues, 19; 14º) Piquet e Bueno, 16; 16º) Benavides, 13; 17º) Pucci, 9; 18º) Fittipaldi, 7; 19º) Gomes e Dirani, 5; 21º) Muffato e Lopes, 4; 23º) Boessio e J. Reis, 2.

A disputa de Marcas no Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck tem a Volkswagen na liderança com 134 pontos. A Iveco mantém a vice-liderança, com 112, apenas dois pontos atrás da Mercedes-Benz, que comemorou mais uma dobradinha em Goiânia. A Volvo, em quarto, tem 94. Scania, com 66, e Ford, com 10, completam a tabela de classificação. A próxima corrida, em São Paulo, valerá também como terceira etapa do Campeonato Sul-Americano.

Foto: Orlei Silva